segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Brasil põe em prática um plano de “agricultura com baixas emissões carbono”

No ano passado, o Brasil prometeu reduzir as emissões de gases do efeito estufa de 36 a 39% até 2020, em um plano detalhado de base científica. E grande parte do trabalho será feito pela indústria mais responsável por poluir a Amazônia: a pecuária e a agricultura comercial.
A nível mundial, a agricultura é diretamente responsável por cerca de 15% das emissões de gases do efeito estufa. O problema é que esse número não inclui as emissões provenientes do desmatamento feito por sua causa.
As negociações sobre o clima em Cancún, no México, até agora não conseguiram resolver a contribuição deste setor para o aquecimento global. Então, contra todas as probabilidades, o Brasil se ofereceu para ir de bad boy do desmatamento para garoto propaganda do meio ambiente.
Pesquisadores brasileiros revelaram um plano detalhado de “agricultura de baixo carbono”, que cortaria as emissões de dióxido de carbono em 170 milhões de toneladas por ano, além de conter a invasão de florestas por agricultores.
Eles reivindicaram que a criação de gado, o destruidor número um da floresta amazônica, se tornaria um sumidouro de carbono, reabsorvendo o CO2 do ar. Atualmente, a maioria das pastagens perde carbono conforme o solo degrada. Mas uma pastagem bem manejada pode acumular carbono, tanto carbono que mais do que anularia o efeito de aquecimento da emissão de metano e outros gases a partir da criação de gado.
O Brasil pretende reabilitar 150.000 quilômetros quadrados de áreas de pastagens degradadas até 2020, restaurando seu teor de carbono. Um método será o de plantar árvores e outras culturas entre o gado.
Outro grande projeto é ampliar o plantio direto, o qual o Brasil foi pioneiro. A lavoura libera carbono dos solos, mas se os agricultores evitarem o arado, e em vez disso semearem as plantas em buracos de resíduos da colheita do ano anterior, o conteúdo típico de carbono do solo subiria de 1,6 a 2% em uma  década. A técnica, que já é utilizada em 60.000 quilômetros quadrados de terras agrícolas brasileiras, deve se estender a outros 80.000 quilômetros quadrados na próxima década.
O Brasil tem 32 centros de pesquisa e 192 unidades de exploração agrícola trabalhando no plano de baixo carbono. Outras ideias incluem a captura de emissões de metano de dejetos de suínos para fazer biogás, e a redução do uso de fertilizantes nitrogenados através da engenharia de novas estirpes de bactérias fixadoras de nitrogênio que podem ser dadas aos agricultores.
A Federação da Agricultura e Pecuária brasileira, que representa mais de um milhão de agricultores, disse que as novas técnicas vão ser apoiadas por eles, porque melhoram os solos e aumentam os rendimentos. [NewScientist]

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