terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Lula: volto para lançar pedra fundamental da refinaria

Não era discurso de campanha eleitoral, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu voltar ao Ceará para lançar a pedra fundamental da refinaria Premium II da Petrobras no dia 28 ou 29 de dezembro deste ano. A menos de 15 dias para o fim do seu segundo mandato, Lula falou de um dos sonhos mais antigos do Estado. 

Em um discurso emocionado de 27 minutos, interrompido várias vezes por aplausos da população, Lula relembrou seu discurso de posse em 2003, criticou o colonialismo, defendeu o bolsa-família, falou de sua confiança em Dilma Rousseff, a presidente eleita, e ensinou o que é governar, citando o exemplo de sua mãe, dona Lindu, e fez mais promessas para o Ceará. 

O discurso foi feito ontem, após o presidente e o governador Cid Gomes assinarem a contratação dos lotes dois a 11 do trecho Missão Velha-Pecém da Ferrovia Transnordestina. A solenidade aconteceu em Missão Velha, no Cariri, após percorrerem 14 quilômetros no trem. 

Retorno 

Entre as promessas, Lula garantiu que volta ao Ceará para inaugurar a Transnordestina e o canal da Transposição do Rio São Franscico em 2012, quando, segundo ele, vai encontrar em estágio avançado a refinaria do Pecém. "É uma promessa histórica", ressaltou. "Há 30 anos a Petrobras não fazia uma refinaria no País, eu não era nem nascido", brincou o presidente. 

Para ele, ao falar das conquistas de sua administração, a arte de governar é a arte de planejar e de assumir compromissos definindo prioridades. "Não era certo que o Nordeste continuasse sendo tratado como a escória deste País", assinalou. 

Lula citou as obras de transposição do Rio São Francisco como exemplo de sucesso do seu governo. "A transposição era um desejo de Dom Pedro I. E nem dom Pedro conseguiu fazer, nem ele, que era imperador, filho do rei. Foi preciso vir o Lula, filho da dona Lindu, para fazer". 

O presidente disse que parte do atraso dos indicadores sociais e econômicos do Nordeste em relação ao restante do País se deve à classe política da região. "Uma parte da elite do Nordeste era colonizada, tinha a cabeça que pensava pelo Rio de Janeiro e São Paulo, não pensava nos nordestinos".

Críticas 

Lula disse que os investimentos feitos no Nordeste nos últimos anos não tiraram recursos de outros estados do País e que era preciso trabalhar para reduzir as diferenças regionais, com fortalecimento da infraestrutura e das condições de crescimento da economia local. "Não queremos mais ser exportadores de servente de pedreiro para São Paulo. A gente não quer ser só pedreiro, a gente quer ser engenheiro, a gente quer ser médico". 

Para Lula, a elite brasileira, com a sua cultura europeia e americana, só pensou nos mais ricos e esqueceu as obras estruturantes. O presidente citou ainda o caso da bolsa-família, "tão criticado por aqueles que dizem que este dinheiro poderia se empregado em pontes". 

"É preciso dizer para esta gente que pobre não come tijolo, nem cimento. A gente como arroz e feijão", disparou. "O pouco dinheiro que é colocado na mão de um pobre é como o milagre da multiplicação dos pães. Para o rico, R$ 80 só dá para pagar uma gorjeta na Avenida Paulista. Com R$ 50 o pobre transforma a quantia em arroz, feijão e farinha", disse.

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