sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Juazeiro do Norte - PCCR vira pesadelo para professores

Votação de alterações no PPCR do magistério de Juazeiro é mais uma vez adiada (Por Francisco Demontieux Fernandes/Especial da redação de Folha da Manhã para o portal Miséria)
A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte voltou a ser ocupada, ontem, por professores que combatem projeto do prefeito Manoel Santana (PT) destinado a redimensionar sistema de promoção e de salários do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do magistério desta cidade, que, segundo o Sindicato dos Servidores Municipais trará prejuízos à categoria.

Na sessão da tarde de ontem, o projeto deveria ter sido votado, apesar da rejeição de integrantes do magistério, mas, uma mensagem do prefeito que chegou ao Legislativo fixando data-base para concessão de aumento em 1º de janeiro de cada ano, além de reajuste de 7,86% para compensar redução salarial prevista para vigorar em 2011 neste mesmo percentual, revoltou ainda mais os professores, que intensificaram protestos diante da decisão do presidente da Câmara, José de Amélia Jr. (PSL) de convocar sessão extraordinária para "limpar a pauta", confiante que venceria com os votos de 6 vereadores (Adauto Araújo, Nivaldo Cabral, Ronaldo Lira, Firmino Calu, Domingos Borges e Delian Pinheiro). Em minoria, os 5 parlamentares (Tarso Magno, Gledson Bezerra, Mara Torres, Antônio Ferreira e Roberto Sampaio) que rejeitam as alterações no PPCR se retiraram do plenário, inviabilizando a decisão. Eram 16h e Amélia Jr., debaixo de vaias, esticou a sessão por mais uma hora. 
Mais protestos dos professores, dentro e fora da Câmara, enquanto o presidente ameaçava expulsar os manifestantes, com reforço policial e de guardas municipais, que vestiam uniforme semelhante aos de personagens do desenho animado Tartarugas Ninjas. Diante do Palácio Floro Bartolomeu, o secretário de Esporte e Juventude, Aurélio Matias, tentava falar aos professores. "Fora daqui oportunista", foi o que ouviu da maioria dos manifestantes, antes de se retirar. No espaço interno, a tensão aumentava com a chegada do comandante do II BPM, coronel Gomes Filho, para a possível desocupação. "Coronel, o senhor tem cela para toda essa gente?", perguntou uma manifestante. "A única cela que tenho para os professores é o meu coração", respondeu o militar, que é formado em Pedagogia e afastou-se do magistério para se dedicar à carreira policial.

Às 17h, o presidente Amélia Jr., que sonhava conquistar a presença e o voto da vereadora Mira Sampaio, ainda ausente, prorrogou a sessão para as 20h, mas não obteve êxito e apenas irritou ainda mais os manifestantes. No plenário da Câmara, que dispõem de um único sanitário, professoras se apertavam em fila indiana, reivindicando "o direito de fazer xixi".

Minutos antes das 20h, sem a adesão de vereadores, o presidente encerrou a mais longa sessão do Legislativo local, convocando uma extraordinária, ou batalha final, para as 8h de hoje, quando as tropas do Marechal Santana, sob o comando do general Amélia Jr., que ontem estavam estropiadas e carentes, vão, mais uma vez, enfrentar a ira dos professores.


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