quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Força diz que Mantega se comporta como 'Robin Hood às avessas'

A Força Sindical voltou a criticar o ministro Guido Mantega (Fazenda) por dizer que o governo irá vetar qualquer reajuste do salário mínimo acima de R$ 540. Para a entidade, o ministro demonstra insensatez de burocrata. 

"O infeliz comunicado revela que Mantega age como um Robin Hood às avessas, se curvando aos especuladores e virando as costas para os menos favorecidos", afirma a central sindical, que defende um mínimo de R$ 580.

Ontem, Mantega fez uma declaração contra um mínimo maior que R$ 540, depois de uma ameaça do principal aliado da presidente Dilma Rousseff, o PMDB. O partido prometeu trabalhar contra o valor fixado pela equipe econômica.

Arrogância 

Em nota, a Força Sindical alfineta o ministro da Fazenda ao lembrar o reajuste dos aposentados de 7,7% dado no ano passado. Mantega chegou a declarar que a equipe econômica tinha aprovado um reajuste de 6,14%.

No entanto, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou um aumento de 7,7%, valor decidido pelo Congresso. Amanhã, a bancada do PDT, liderada pelo presidente da Força, Paulo Pereira (SP), irá se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), para discutir o salário mínimo.

A atitude do ministro, de se adiantar à presidente para anunciar o veto a reajustes acima do proposto pelo governo, é considerada uma demonstração deplorável de arrogância, pois despreza o diálogo com as centrais, prometido por Dilma, e atropela a soberania do Poder Legislativo.

Ao mesmo tempo em que dá esta prova de “coragem” com os trabalhadores, o ministro parece submisso perante a oligarquia financeira, que se locupleta com a política de juros altos praticada pela Banco Central. O governo transfere mais de 5% do PIB aos credores da dívida interna em pagamento de juros extorsivos.

A escandalosa transferência de recursos públicos ao sistema financeiro não é apontada como causa do déficit fiscal (nominal), embora o seja, em função do poder que os grandes banqueiros, destinatários da famosa “carta aos brasileiros”, gozam na sociedade, na mídia capitalista e junto ao governo. As centrais sindicais defendem a redução da taxa de juros básicos (Selic) como meio de reduzir a necessidade de pagamento de juros e superávit primário, de modo a sobrar mais dinheiro para o Salário Mínimo e melhoria dos serviços públicos.

Arrocho


O próprio governo reconheceu anteontem, discretamente, que o reajuste do mínimo ficará abaixo da inflação pela primeira vez desde 1997, conforme foi denunciado pelo Dieese em recente Nota Técnica.

A portaria que elevou os benefícios previdenciários utilizou o percentual de 6,41%, mostrando qual é o cálculo oficial para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado no ano passado.

Já o salário mínimo teve reajuste de 5,9% ao ser elevado para R$ 540, o que, considerando o INPC projetado, corresponde a uma perda de 0,5% de seu poder de compra. Para repor a inflação acumulada, o mínimo deveria subir para exatos R$ 542,69, valor que provavelmente seria arredondado para R$ 545.

O reajuste abaixo da inflação impõe perda ou arrocho salarial, conforme os sindicalistas, e seria um mal começo para o governo Dilma.

Mobilização 


As centrais sindicais anunciam para o próximo dia 11 de janeiro uma reunião em São Paulo com a finalidade de discutir estratégias para elevar o mínimo a R$ 580.

O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, confirmou que o novo governo ainda não recebeu as centrais e que espera alguma manifestação. "Até agora o governo Dilma não nos recebeu. Eu e o companheiro Arthur Henrique [presidente da CUT] estivemos na posse, não era lugar para protestarmos. Mas acreditamos que o salário mínimo tem uma função social de distribuição de renda no País e vamos trabalhar para reajustá-lo."

O dirigente não estabeleceu prazos para uma manifestação do governo de Dilma, mas disse que as centrais vão usar todos os mecanismos de pressão de que dispõem, porque sente que "estão mais unidas do que nunca".

Ele completou dizendo que também no Legislativo as centrais vão exercer seu papel: produzir emendas à MP 516/2010. "O Paulinho, da Força Sindical, e Roberto Santiago (PV) já anunciaram que vão produzir emendas."

A MP do novo mínimo, assinada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, só vai começar a tramitar no Senado a partir do dia 2 de fevereiro, depois do recesso parlamentar. A MP levou em consideração a estimativa de 5,9% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor ( INPC), que também mede a inflação entre as camadas de renda mais baixa.

Ainda no encontro do próximo dia 11, as centrais debaterão um calendário de atividades conjuntas, entre as quais está o "1º de Maio Unificado", uma grande manifestação programada para o feriado do Dia do Trabalho.

Na reunião, as centrais discutirão estratégias que visam à defesa da redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, a manutenção da política atual do salário mínimo, a ratificação da Convenção 158 - que acaba com a demissão sem justa causa - e ainda o fim do fator previdenciário.

Da redação, com agências

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