quinta-feira, 29 de setembro de 2011

vendas caem 20% Greve gera impacto no varejo

Comércio formal teve redução de 20% no movimento nos dois primeiros dias da greve. Ambulantes, de 50%
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Em apenas dois dias, a greve dos bancários já conseguiu diminuir em cerca de 20% o movimento no comércio varejista de Fortaleza, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas), Cid Alves. Se a paralisação, que teve reflexo em 285 agências bancárias no Estado até ontem, continuar, ele avalia que as vendas para o Dia da Criança poderão ser prejudicadas e ficar abaixo da expectativa. Na loja de variedades do Centro, Atacadão Mix, o gerente Renazio Moraes, garante que o recuo nas vendas já atingiu 30%, porque por lá, mais da metade dos pagamentos são em dinheiro. Para os ambulantes, que negociam principalmente com a moeda em espécie, o faturamento caiu até 50%, de acordo com o vendedor Cláudio da Silva. "A população reduziu o consumo nos últimos dias, porque já falta dinheiro nos caixas eletrônicos de algumas agências e existe um temor a respeito de como será o recebimento dos salários, que devem ser desembolsados até o quinto dia do próximo mês. Sem o acesso ao dinheiro, não há confiança para as compras", explica Cid Alves.
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Preocupação com salários

As remunerações mensais do quadro de funcionários do comércio, por exemplo, podem até não atrasar, mas o representante do Sindilojas explica que, se a greve continuar, deverão ser pagos em cheques, e não em espécie ou depósito bancário, como de costume.

Balanço

Ontem, a adesão à greve aumentou em 20% o número de agências, em relação ao primeiro dia, no Estado. O Sindicato dos Bancários do Ceará informou que, por enquanto, não está marcada nenhuma negociação com os banqueiros. Em todo o País, a paralisação já atinge 6.248 agências e centros administrativos de bancos públicos e privados. São 2.057 unidades a mais do que no primeiro dia, quando foram paralisadas 4.191, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Enquete
Qual o prejuízo?


"Preciso pagar uma conta que só poderia ser quitada direto no banco. Vou ter que esperar o fim da greve e arcar com os juros"

Orlani Antunes
46 anos
Doméstica

"Não consigo realizar um depósito na Caixa Econômica. Por sorte, tenho conta em outro banco, mas é um transtorno"

Éder Leite
31 anos
Projetista

"Tudo é difícil. Pagar contas, realizar transferências, só falta não conseguir sacar. Essa seria a pior coisa pra mim"

Antônio Rocha Filho
76 anos
Aposentado

CORRENTISTAS RECLAMAM

Dificuldade de saque no caixa eletrônico

Entre as restrições impostas pela greve, a maior preocupação dos clientes dos bancos é mesmo não conseguir sacar dinheiro nos caixas eletrônicos. Contudo, segundo a reportagem apurou, isso já vem acontecendo. O Sindicato dos Bancários do Ceará não confirma o desabastecimento das agências, mas, ontem, no Centro da Cidade, alguns correntistas reclamaram desse tipo de dificuldade.

A gazeteira Zenir Mendes, 31, disse ter tentando realizar uma retirada em quatro máquinas diferentes do autoatendimento do banco Itaú, da Major Facundo. Sem sucesso, ela saiu em busca de outra agência. "É muito frustrante, porque eu tenho dinheiro, não posso usá-lo e tenho muitas contas para pagar", desabafa. O estudante Carlos Martins, 18, tentou fazer um saque da conta poupança na Caixa Econômica, da rua Floriano Peixoto, e também não saiu com o dinheiro.

Outros serviços

A comerciante Márcia Damásio, estava preocupada com os serviços da Caixa que estão paralisados. Ela tentou pagar o penhor em aberto e agora teme ter que arcar com os juros do atraso.

No mesmo banco, por exemplo, não estão sendo aceitos depósitos e transferências bancárias, nem mesmo via caixas eletrônicos. E, segundo a reportagem apurou, os correntistas estão sendo inibidos à utilização do autoatendimento pelos sindicalistas nas agências. (ACQ)

ANA CAROLINA QUINTELA
REPÓRTER

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