quinta-feira, 26 de abril de 2012

BC deixa porta aberta para novos cortes, mas com ‘parcimônia’


Informação consta na ata da última reunião do Copom.
Na ocasião, juros caíram para 9% ao ano, perto da mínima histórica.



O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta quinta-feira (26), por meio da ata de sua última reunião, quando os juros recuaram para 9% ao ano, que, devido aos “efeitos cumulativos” dos seis cortes de juros já efetuados desde agosto do ano passado, “qualquer movimento de flexibilização monetária [redução da taxa básica] adicional deve ser conduzido com parcimônia [moderação]“. Com isso, o BC deixou a porta aberta para novas reduções nos juros básicos da economia.

Na ata do Copom de março, divulgada há cerca de 45 dias, quando a taxa de juros havia recuado para 9,75% ao ano, o discurso era diferente. Na ocasião, o Copom informou que via “elevada probabilidade” à concretização de um cenário que contempla a taxa de juros caindo para “patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando”.

A mínima histórica da taxa de juros é de 8,75% ao ano e foi registrada entre julho de 2009 e abril de 2010, na primeira etapa da crise financeira internacional. No primeiro semestre do ano retrasado, após atingir a mínima histórica, os juros voltaram a ser elevados para conter as pressões inflacionárias resultantes do crescimento da economia brasileira. Naquele ano, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 7,5%, desacelerando para 2,7% de expansão em 2011.

Poupança
Analistas avaliam que um recuo mais forte da taxa de juros, abaixo de patamares mínimos já registrados, poderia comprometer a chamada “rolagem” da dívida pública, que é a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.

A explicação é que a poupança tem uma rentabilidade mínima (piso de rendimento) associada ao investimento (TR mais 6% ao ano), enquanto os rendimentos dos fundos de investimentos estão associados aos juros básicos da economia – que estão em queda desde agosto do ano passado.

Caso continue baixando os juros, o BC vai pressionar as ‘margens” dos fundos de investimento que, para se manterem competitivos, podem ter de mexer na taxa de administração cobrada de seus clientes. Em 9% ao ano, a poupança já ganhou mais atratividade, segundo levantamento da Anefac.

Um novo corte de juros também poderá colocar pressão sobre o próprio governo para alterar as regras da caderneta de poupança. Entre as possibilidades, está diminuir o rendimento da poupança ou sobretaxar operações acima de R$ 50 mil (que chegou a ser anunciado no passado). Com alterações na poupança, o BC poderia continuar baixando os juros para atingir patamares internacionais – conforme objetivo da presidente Dilma Rousseff.

Sistema de metas de inflação
Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% neste ano, visto que, em 2011, a inflação ficou em 6,5% – no teto do sistema de metas. Para o IPCA deste ano, a previsão dos analistas dos bancos está em 5,08% e, para 2013, a previsão do mercado está em 5,50%. Já o Banco Central estimou, no fim de março, um IPCA ao redor da meta central de inflação (4,5%) para este ano e, para 2013, acima de 5%.

G1

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