terça-feira, 24 de abril de 2012

Cariri-CE: Produção de mel – Exportação é o principal destino


Apesar de uma expectativa de queda na produção neste ano, o Ceará mantém posição de destaque no setor




O superintendente de Agropecuária do Grupo Edson Queiroz, Henrique Braga, destaca a valorização do mel cearense no exterior   FOTOS: ELIZÂNGELA SANTOS

Juazeiro do Norte Por conta da estiagem, neste ano, a produção de mel no Estado poderá ter uma queda de 50% em relação a 2011. A constatação para a baixa, mesmo com a grande procura do mercado externo, principalmente da Europa e dos Estados Unidos, é feita pelos principais exportadores do produto no Estado. Segundo produtores, a falta de chuvas aponta para um resultado menos animador do que o observado em 2011.


A empresa Cearapi chega a exportar aproximadamente, 3 mil toneladas de mel orgânico por ano, principalmente para os Estados Unidos

Mesmo com essa perspectiva para 2012, os dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) apontam um crescimento da produção de mel no Estado, de 2000 a 2010, de 322%. O Estado ocupa a sexta posição no Brasil, elevando de 3% para 7,3% sua participação na produção nacional do produto. De acordo com o Instituto, o Ceará é o terceiro no País quanto às exportações de mel, representando um total de US$ 12,7 milhões em 2011, contra os US$ 3,4 milhões de 2002. O crescimento é da ordem de 269,13%. O nível de exportação saltou de 14,94% para18,0%.

Para o diretor Dario Chiachiarini, da Cearapi, empresa que compra a produção de mel orgânico de mais de 500 produtores desses Estados, cerca de 200 deles do Cariri, a produtividade em 2011 foi considerada muito boa, em todas as áreas de aquisição do produto.

A empresa chega a repassar para o mercado externo, em média, 3 mil toneladas de mel por ano, comercializando o produto principalmente para os mercados europeu e norte-americano.

O Mel Esperança, produzido pela Agropecuária do Grupo Edson Queiroz, chega a exportar, por mês, 190 toneladas de mel orgânico, principalmente para Estados Unidos e Europa. Segundo o superintendente de Agropecuária do Grupo, Henrique Jorge Braga, estima-se queda na produção em torno de 50% a 60%, em relação ao ano passado, em virtude da seca. O mercado externo, conforme ele, tem absorvido bem o produto, mas o problema reside na produção interna, insuficiente para atender toda essa demanda.

Mercado interno

O mercado interno não tem sido foco de comercialização do mel. Os brasileiros, principalmente nordestinos, diz Chiachiarini, consomem muito pouco o produto, e normalmente o associam a remédio. O consumo “per capita”, no Brasil, chega a 70 gramas, enquanto que, em países da Europa, conforme o empresário, ultrapassa 1,5 quilo ao ano.

A alta demanda externa para o mel produzido no Nordeste brasileiro é principalmente por ser um produto orgânico de alta qualidade, de floradas silvestres sem a inserção de agrotóxicos e fungicidas.

Conforme o Ipece, apesar de São Paulo liderar as exportações de mel – embora tenha apresentado uma redução significativa na participação -, os Estados do Norte e Nordeste lideraram o incremento (entre 2002 e2011) da produção.

O Ceará chegou a exportar mel para sete países em 2011. Poucos Municípios exportaram o mel natural no Ceará no ano passado. Entre eles estão Cascavel, Crato, Aquiraz, Limoeiro do Norte e Fortaleza, sendo que os quatro primeiros responderam por 97,49% do total exportado.

Diário do Nordeste

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