quarta-feira, 25 de abril de 2012

SECA – Levantamento das perdas deve ser agilizado

Com o anúncio de liberação de recursos federais, Municípios atingidos pela seca devem definir demanda


Diante dos prejuízos causados pela seca no Ceará, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA) está solicitando que os Municípios façam, urgentemente, o levantamento dos reais prejuízos especificando as demandas. Avalia-se que a queda da produção agropecuária, neste ano, pode ter chegado a 50%, com relação a safra anterior. Em 2011, o valor bruto da produção chegou a R$ 1,3 bilhão. Valos que pode não se repetir neste ano.


Ao todo, 17 Municípios cearenses já solicitaram o abastecimento de água por meio de carro-pipa. O secretário de Desenvolvimento Agrário do Ceará, Nelson Martins, faz um apelo aos gestores dos Municípios que ainda não atentaram para a questão. “É urgente que as Prefeituras façam a decretação de estado de emergência e a solicitação à Defesa Civil do Estado e ao Exercito do atendimento às comunidades que estão sofrendo com a falta de água para que estas recebam o apoio dos carros-pipas”, solicita ele.

Cisternas

Além das linhas de ações emergenciais disponibilizadas aos Estados do Nordeste que estão vivenciado a seca, o Ministério da Integração Nacional está disponibilizando ao Ceará a construção de 89 mil cisternas e a autorização de 1.500 projetos de abastecimento de água.


Para minimizar os danos nas lavouras e a situação de pobreza no campo, o Governo do Estado do Ceará espera antecipar o pagamento do Programa Garantia Safra, que seria liberado apenas no próximo mês de julho, mas que perante as atuais necessidades dos agricultores poderá ser pago no mês de maio, dependendo da situação dos Municípios. Ao todo, 240 mil agricultores participam do programa no Ceará. Cada um terá direito a R$ 680,00, divididos em quatro parcelas iguais.

Já quanto aos valores do Bolsa Estiagem, que foi anunciado pelo Ministério da Integração Nacional, o pagamento será feito o mais rápido possível, após a conclusão dos laudos de levantamentos das perdas de lavouras.

O valor será repassado às famílias que estiverem cadastradas no Cadastro Único Para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que não irão receber o Seguro Safra.

O programa pagará o total de R$ 400,00 por agricultor, com repasses feitos em cinco parcelas de R$ 80,00.

De acordo com dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), o total de perdas em todo o Estado deve ficar em torno de 57% com relação à safra de 2011. Até o dia 15 de abril, o órgão registrou que as regiões mais afetadas foram o Vale do Jaguaribe, com 69,80% de perdas das lavouras; Cariri, com 60,16%; e Sertões de Inhamuns e Crateús, onde as perdas foram de 52,14%.

Após o governador do Estado, Cid Gomes, ter apresentado as demandas provocadas pelos efeitos da estiagem no Ceará, em reunião com a presidenta Dilma Rousseff, o Governo Federal vai liberar recursos do plano de enfrentamento à seca, que vai transferir recursos na ordem de R$ 2,723 bilhões para a região Nordeste do País, sendo que uma parte deste valor já está prevista em orçamento, e cerca de R$ 1,2 bilhão será de novos recursos. A divisão do recurso dependerá das necessidades de cada Estado.

Por meio das medidas emergenciais e estruturantes dos programas está prevista a disponibilidade de crédito emergencial, onde cada pequeno agricultor terá acesso ao crédito de R$ 12 mil. Para os que fazem parte da agroindústria, o empréstimo pode chegar até R$ 100 mil.

Os juros também são diferenciados. Os pequenos agricultores pagarão apenas 1% ao ano e ainda poderão contar com descontos de até 40% no valor, se pagarem suas parcelas em dias.

Já para os demais, os juros serão de 3,5% ao ano. Estima-se que, com a medida, sejam injetados R$163 milhões na economia do Ceará, superando os efeitos da seca na economia regional.

Prefeitos apontam prejuízos com a falta de chuvas

Fortaleza. “Este foi o maior desastre de estiagem para o Sertão Central. Nunca como neste ano, se temeu tanto pela pecuária e pelos agricultores familiares, que formam pequenos núcleos produtivos”.

A afirmação é do prefeito de Piquet Carneiro, Município localizado no Sertão Central, Expedito José do Nascimento, ao abordar, ontem, os efeitos da seca no Ceará e as medidas que vem sendo empreendidas no combate no Nordeste.

Expedito esteve presente ao segundo dia da II Marcha Municipalista do Ceará, que acontece até hoje no Centro de Negócios do Sebrae. Na sua opinião, as medidas anunciadas na noite da segunda-feira passada são importantes para diminuir as perdas, mas reconhece as incertezas que cercam o rebanho.

“O grande problema é que o pecuarista está tangendo o gado pelas rodovias, a fim de aproveitar o pasto remanescente do entorno. A questão maior é o perigo que isso representa para o tráfego, além de não ser uma medida efetiva para saciar a fome dos animais”, disse.

Expedito lembrou que não se contará com a agricultura de sequeiro e isso agrava os problemas sociais do Sertão Central. Ele lembrou que manifesta confiança sobre as medidas anunciadas pelo governador Cid Gomes, especialmente com a antecipação do Seguro Safra. A meta é que as parcelas já sejam liberadas agora em maio.

Também entristecido com a precariedade da estação chuvosa de 2012, o prefeito de Iracema, Otacílio Bezerra, lembrou que a pluviometria até este mês foram pouco superiores a 200mm.

“Não houve chuva sequer para o plantio. Mas a nossa grande preocupação é água para consumo humano”, afirmou Otacílio. Observou que apesar de haver promessa de que o abastecimento será garantido por carros-pipas, há que se pensar no abastecimento para o rebanho.

“Felizmente, temos uma bacia leiteira expressiva com uma produção de 50 mil litros por ano. Agora, nossa meta fica reduzida para menos da metade”, ressaltou Otacílio.

O prefeito de Iracema afirma que está otimista com as decisões tomadas pela presidente Dilma, com destaque para os investimentos federais nos carros-pipas e na antecipação do Programa Água para Todos.

Apreensão

Também presidente à Marcha, o prefeito de Crateús, Carlos Felipe, disse que as medidas repassadas pelo governador acalmaram os agricultores de sua região, que prometiam ainda na manhã de ontem bloquear duas rodovias federais.

Tratavam-se das que davam acesso à Independência e a Tamboril. O ato era para protestar na demora de ações voltadas para o combate aos efeitos da seca. No entanto, em conversa por telefone ainda na parte da manhã, ele dissuadiu os manifestantes a suspender com os bloqueios.

“O que existe de fato é uma apreensão muito grande dos pecuaristas e agricultores pela falta de chuvas e, como consequência, os problemas sociais que afetam o campo e a cidade”, disse Carlos Felipe.

Produção de leite está comprometida

Iguatu A seca que castiga a maior parte do sertão do Ceará começa a trazer preocupações para o setor da pecuária leiteira. O pasto nativo em muitas áreas não germinou e em outras foi de limitada produção. O preço dos insumos (silagem e ração) já subiu significativamente e a oferta regional não será suficiente para atender a demanda.

Nas regiões mais afetadas pela estiagem, já há registro da queda na oferta de leite. O temor dos criadores é ter de vender parte do rebanho, inclusive matrizes, para o corte, e arcar com enormes prejuízos neste ano. “O quadro é o mais grave possível e a tendência é se agravar nos próximos meses”, disse o presidente do Sindicato dos Produtores de Leite do Estado do Ceará (Sindleite) e coordenador da Câmara Setorial do Leite, Álvaro Carneiro Júnior. “É preciso ver para acreditar quanto é grave a nossa situação, infelizmente”. Ele estima que a pastagem natural acabe nos próximos 30 dias.

Na tarde de ontem, ocorreu uma reunião entre representantes de entidades ligadas ao setor da pecuária de leite com o presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, deputado Hermínio Resende, com o objetivo de definir uma pauta de reivindicações que será encaminhada ao Governo do Estado para minorar a situação dos criadores de gado. “Vamos sugerir que o governo interfira para a elevação do preço do leite para que os produtores possam comprar ração para o rebanho, liberar crédito bancário para os criadores e aumentar a oferta de milho por meio da Conab”, frisou Carneiro Júnior.

Quixeramobim, no Sertão Central, é um dos maiores produtores de leite do Estado, com uma produção média diária de 150 mil litros. A estimativa que, nos últimos 15 dias, a produção já caiu 15%. “Vai continuar caindo mais ainda e acreditamos que a retração será de 50% ou mais”, frisou Carneiro Júnior. “Neste ano, o Ceará vai sofrer uma redução drástica do rebanho e isso traz atraso para o setor de, pelo menos, quatro anos”. Nesta semana, o quilo da torta de algodão, vendida por R$ 0,50, dobrou de preço; o quilo do farelo de soja passou de R$ 0,75 para R$ 1,00; o quilo da silagem passou de R$ 0,12 para R$ 0,18; e a saca de 60kg de milho saltou de R$ 30,00 para R$ 45,00. “Se subir mais ainda, os criadores não terão condições de comprar”, observou Carneiro Júnior. Uma solução seria a transferência do rebanho para outras áreas, roça com pastagem em outros Municípios, mas a seca provocou estragos em quase todo o Estado.

O secretário de Agricultura de Madalena, Município que decretou situação de emergência no último dia 11, Eurivando Vieira, disse que a queda na produção de leite nos últimos dez dias foi de dois mil litros diários. Ele observou que, em uma associação de criadores da Agricultura Familiar, ocorreu uma queda ainda maior, de 50%. A produção de leite, que era de 800 litros por dia, foi reduzida para 400 litros diários. “Esse dado real mostra a gravidade da seca no Município. Todos estamos preocupados e não sabemos o que fazer para enfrentar o problema. Ainda não temos solução e nem alternativa”, disse. Os pequenos produtores da agricultura familiar são afetados e não têm condições de reação.

O secretário de Agricultura de Quixeramobim, Cirilo Vidal, também está preocupado com a situação que se aproxima. “Por enquanto, houve aquisição de silagem da região de Limoeiro do Norte, mas, quando essa oferta acabar, o quadro vai ficar complicado para os criadores”, disse. “A solução para esse tipo de crise depende de vontade e decisão governamental”. Vidal observou que os criadores que têm dívida de financiamento de crédito rural estão em pior situação, com risco de perder a propriedade. “É preciso renegociar esses débitos com urgência”.

O Município de Iguatu é uma área privilegiada porque as chuvas estão acima da média histórica e há formação de pastagem natural, mas a preocupação da Unidade de Pecuária de Iguatu (Upeci) é com a transferência de rebanho de outros Municípios.

“No segundo semestre, o quadro vai se agravar porque não temos oferta para atender toda essa demanda, o nosso rebanho cresceu muito”, disse Mairton Palácio, presidente da Upeci. “O preço da silagem, do farelo de soja, algodão e do milho subiu e mantém tendência de alta para os próximos meses e isso vai trazer dificuldades para todos os criadores”. O temor é de que não haverá estoque de pastagem para o segundo semestre.

Mais informações:

Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado
Avenida Bezerra de Menezes, 1820
Bairro São Geraldo- Fortaleza
Telefone: (85) 3101.8123

Portal Verdes Mares

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