terça-feira, 31 de maio de 2011

dinheiro caro Consumidor precisa abrir o olho ante a escalada dos juros


Antes de contrair qualquer modalidade de crédito ou recorrer ao cheque especial, avalie o custo que irá pagar
Pegar dinheiro emprestado, ou financiar um bem está ficando cada vez mais caro no País. Para frear o consumo e conter a alta da inflação, o governo federal vem subindo os juros e, por sua vez, encarecendo o crédito. Se for mantida a tendência dos últimos meses, quando começaram a ser lançadas medidas com este objetivo, o impacto das decisões do Banco Central no dia a dia da população tende a aumentar. É que segundo os especialistas, com a perspectiva de que a Selic, a taxa referencial da economia, chegue a 12,5% ao fim deste ano (hoje em 12%), o custo do dinheiro continuará a mostrar novas elevações.
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A evolução pode ser visivelmente verificada nos dois principais tipos de financiamento para a pessoa física existente no mercado: o cheque especial e o crédito pessoal.

Cheque especial
Segundo a série histórica do Banco Central, atualizada ontem, em abril deste ano, a taxa de juros para o consumidor final na primeira modalidade atingiu 178,05% ao ano. Somente em relação a março último (174,6%), o acréscimo foi de 3,5 pontos percentuais. Em 12 meses, foi registrada variação de 16,7 pontos percentuais.

Com a segunda alta consecutiva em 2011, esta é a maior taxa desde abril de 2003, quando os juros para o cheque especial ficaram em 178,5% ao ano.

Já o juro do crédito pessoal, apresentou elevação de 2,6 pontos percentuais entre março e abril deste ano, atingindo 49,9% ao ano, a maior taxa desde março de 2009, segundo a série histórica apresentada pelo Banco Central.

Em 12 meses, a autoridade monetária apontou acréscimo de praticamente sete pontos percentuais nos juros cobrados nessa modalidade de crédito. Dentro dessas operações, a taxa média dos empréstimos com desconto em folha de pagamento aumentou 0,4 ponto, indo a 28,5% ao ano. Em 12 meses, houve adição de 1,7 ponto.

Veículos
Nas outras modalidades de crédito a pessoa física, o custo médio do empréstimo para aquisição de veículos, por exemplo, cresceu um ponto no mês passado, para 30,9% anuais. Em 12 meses, o aumento foi de 7,4 pontos percentuais.

Já as taxas de empréstimos cobradas para aquisição de bens variados, como no caso dos eletroeletrônicos, avançaram, por sua vez, 1,2 ponto percentual no comparativo mensal, atingindo 54,8% ao ano.

Política do governo
Na avaliação do diretor executivo da Associação Nacional dos executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Ailton Leite, os avanços refletem a política de juros altos do governo para tentar segurar a inflação.

´Sem surpresa´
"Ninguém está surpreso com os resultados. Eles já eram esperados, porque a política de juros altos está casada com duas coisas: o dólar baixo, o que estimula a compra de produtos importados, elevando o consumo e por conta disso a inflação; ao mesmo tempo, quando o empresário precisa aumentar a produção, com juros altos ele não faz, segurando, assim, a oferta. Para reduzir o consumo ele regula os preços, segurando a inflação. Quando se soma isso tudo a perspectiva é de que os juros continuem a subir", explica o especialista.

"Se considerarmos ainda a expectativa de que a Selic chegue a 12,5% ao fim deste ano, aliada ao aumento da inadimplência, o que elevaria o spread bancário, os juros, de fato, tendem a aumentar", emenda Leite.

Orientação
Portanto, orienta, o consumidor precisar estar atento com o endividamento. "Endividar-se mais do que pode gera inadimplência e isto provoca efeitos negativos na vida pessoal, social e até na carreira do indivíduo, pois ele não vai trabalhar direito por conta da preocupação", fala.

"O que precisa ficar claro é que mesmo que a prestação caiba na renda mensal, esta vai permanecer por um longo período no orçamento e todo mês vai ter aquele peso, ainda mais agora com os juros mais altos. Se ele atrasar será pior", conclui.

ANCHIETA DANTAS JR.REPÓRTER

Maior em 48 meses
Taxa média sobe pelo quinto mês consecutivo
Brasília As condições de financiamento tiveram nova piora por conta das medidas anunciadas pelo governo desde novembro para segurar o consumo e a inflação. Pesquisa mensal do Banco Central mostra que os juros bancários subiram pelo 5º mês consecutivo em abril e tiveram nova alta nas duas primeiras semanas de maio. A taxa média de 39,8% ao ano, no final do mês passado, é a maior em 48 meses. 

O custo do crédito ao consumidor já cresceu 20% desde que o governo começou a elevar a taxa básica de juros, restringiu prazos de financiamento e aumentou o imposto sobre empréstimos a partir de dezembro. Para as empresas, avançou 10%. 

Expansão moderada
Juros altos e prazos apertados levaram à expansão moderada do crédito: no ano, até abril, ele cresceu 4,1% em relação ao final de 2010.  Se repetida nos próximos quadrimestres, a taxa traria um aumento de 13% no ano, dentro do esperado pelo BC. 

O crescimento em 12 meses se manteve em 21%. Mas é possível notar uma queda na concessão de novos empréstimos. Houve redução de 5% no acumulado até abril, ante os últimos meses de 2010. 

O recuo foi de 24,5% no financiamento de veículos, modalidade mais afetada pelas medidas do governo. No ano, a desaceleração é maior nos desembolsos do BNDES e menor no crédito habitacional, que não foi afetado pelas medidas. 

Em abril, a média diária de concessões para o consumo superou o verificado em novembro, segundo o BC, mas a consultoria LCA calcula que, descontada a inflação e os efeitos típicos de cada mês do ano, há uma queda de 4%.

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