terça-feira, 24 de maio de 2011

Perdas de energia da Coelce abasteceriam 125 mil pessoas

Inevitáveis durante o abastecimento, perdas técnicas foram de 10,4% no Ceará. Irregularidades representam 1,6%
As perdas totais de energia registradas pela Coelce (Companhia Energética do Ceará) no ano passado seriam suficientes para abastecer, durante um mês, um município com 125 mil habitantes, população semelhante à do Crato, por exemplo. Os especialistas da Coelce Carlos Falconiere, responsável pela área de disciplina de mercado, e José Caminha Araripe, gerente de regulação e mercado, explicam que essas perdas, da ordem de 33 gigawatts, representam a diferença entre a energia que a empresa comprou e vendeu. Segundo eles, no Estado, o prejuízo sofrido foi de 12,12%.
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Conforme Caminha, o valor é um dos menores entre as distribuidoras do Brasil. "Só em empresas com área de atuação muito pequena, há perdas menores", afirma. De acordo com ele, a maior parte dos valores perdidos se dá por conta de aspectos técnicos (10,4%), enquanto o restante ocorre em virtude de irregularidades no uso da energia (1,64%). A Coelce possui 102 subestações, mais de 112 mil quilômetros de rede e cerca de 100 mil transformadores de distribuição de rua, dimensão e quantidade de equipamentos que, segundo Carlos Falconieri, tendem a tornar mais fluente os prejuízos.

Dimensões influenciam
"Quanto maior o comprimento de rede, maiores as chances de perda (técnica)", esclarece.

Já no caso das irregularidades, Caminha e Falconiere afirmam que o nível dos danos tem diminuído nos últimos anos, por meio, principalmente, da atualização de sistemas inteligentes para detectar fraudes e do trabalho de equipes em campo no intuito de fiscalizar possíveis problemas. De 2005 até o ano passado, conforme a Coelce, houve redução de 1,7 ponto percentual nesse tipo de perda. Segundo eles, tais estatísticas são importantes para que a companhia direcione os investimentos para atenuar os prejuízos.

Furto de energia
De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o furto de energia é crime e pode redundar em até quatro anos de prisão, além de multas. A agência ainda orienta que a tentativa de realizar uma fraude nos equipamentos da rede pode provocar incêndios nos domicílios e até a morte por choque elétrico.

Cabos
Segundo a Coelce, mais de 20 mil pessoas em todo o Ceará tiveram seu fornecimento de energia prejudicado, devido ao furto de cabos da rede elétrica, no ano passado. Nesse período, a companhia contabilizou o furto de 50 mil kg de cabos, amargando um prejuízo de, aproximadamente, R$ 1,6 milhão, concentrado de modo mais intenso nos municípios de Fortaleza, Camocim, Acaraú, Trairi, Maracanaú, São Gonçalo do Amarante, Caucaia, Aracati e Limoeiro do Norte. Em 2011, o volume de cabos furtados já chega a aproximadamente 15 mil kg, causando danos de R$ 530 mil para cerca de 6 mil clientes. Segundo a empresa, a retirada irregular desses cabos da rede elétrica pode ainda ocasionar curto-circuito, queima de aparelhos elétricos e representar risco de acidente. Só com a região leste do Estado, em 2010, foi registrado um prejuízo de cerca de R$ 80 mil, contabilizando 21 ocorrências na rede. Em 2011, os números já contam com expressivos indicadores: 4 ocorrências geraram um prejuízo de R$ 40.000, até o mês de abril.

MARCOEólica bate 1 gigawatt de potência instalada
A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) informou que o País chegou ontem à marca de 1 GW (gigawatt) de potência eólica instalada no País. Segundo a Abeeólica, "os geradores e os desenvolvedores de parques eólicos, a partir desta etapa, iniciarão a consolidação de uma fase de crescimento, que cada vez mais irá se acelerar". A expectativa do setor é que a geração eólica represente algo em torno de 5,2 GW na matriz brasileira até 2013.

O total está distribuído entre os 50 empreendimentos em operação. Essa meta foi atingida com a entrada em operação do parque eólico Elebrás Cidreira 1, pertencente à associada EDP Energias do Brasil, localizado no município de Tramandaí (RS). Lá estão 31 aerogeradores fabricados pela Wobben WindPower, com capacidade total de 70 MW (megawatts).

1% da energia
Com isto, de acordo com dados da Aneel atualizados ontem sobre a capacidade de geração de energia do País, as usinas eólicas já respondem por quase 1% da energia outorgada.

Para o vice-presidente da Abeeólica, Lauro Fiúza, a marca de 1 GW é um fecho importante do Proinfa - Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, consolidando-se como fase de destaque da energia eólica no País.

VICTOR XIMENESREPÓRTER

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