terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Esperma passa informações nutricionais no DNA


Um novo estudo mostra que nós somos mais do que apenas os nossos genes, e que há muitas maneiras dos nossos pais nos “passarem coisas”. Pesquisadores descobriram que o esperma pode passar informação nutricional – não codificada no DNA – de geração para a geração.
Os pesquisadores alimentaram ratos com uma dieta de baixa proteína, desde que eles nasceram até atingirem a maturidade sexual. A expressão de centenas de genes foi alterada na prole destes machos. Estas alterações incluíram uma modificação química associada à redução da atividade de um gene envolvido na síntese de lipídios e colesterol no fígado.
Da mesma forma, uma série de alterações metabólicas apareceu nos fígados dos ratos cujos pais foram alimentados com a dieta de baixa proteína.
A sequência de pares nos genes dos ratos não sofreu alteração. Pelo contrário, ocorreram modificações químicas que alteraram a forma como os genes se expressam, ou como eles funcionam em ratos.
O fenômeno é chamado epigenética, que é quando os genes em si não mudam, mas sua função muda. Essas alterações químicas, como os genes em si, são herdadas. Segundo os pesquisadores, os resultados provam que esta alteração externa do código genético pode desempenhar um papel importante na transmissão de informações ambientais para a geração seguinte.
E a ideia não é nova. Em humanos, estudos epidemiológicos indicam que se o seu avô paterno passou fome, você está em maior risco de desenvolver obesidade e doenças cardiovasculares. Isso é consistente com a ideia de que quando os pais passam fome, é melhor para seus descendentes acumular calorias.
Um estudo com ratos publicado no início deste ano também constatou que os pais em uma dieta de alto teor de gordura passam problemas de saúde às suas filhas.
Os pesquisadores dizem que ainda não está claro como essas alterações químicas são codificadas e transmitidas a partir do pai. No entanto, esses resultados, mais os de outros estudos, sugerem que os cientistas têm que repensar as abordagens básicas para o estudo de doenças complexas, como diabetes, doença cardíaca ou alcoolismo. [LiveScience]

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