quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cid admite chamar Lula para fazer a mediação

O governador afirma que o principal problema de Fortaleza é a saúde. Ele diz que falta mais investimentos no PSF

Reafirmando que vai fazer de tudo para manter a aliança política com o PT nas eleições municipais de 2012, o governador Cid Gomes (PSB) considera natural que o candidato à Prefeitura de Fortaleza seja petista. Por outro lado, Cid revela preocupação com a escolha do nome, pois entende que ele deve corresponder às expectativas dos aliados e merecer a confiança da sociedade. Cid admite buscar a mediação do ex-presidente Lula para a escolha desse candidato.
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"Se quero preservar a aliança, o mínimo que posso fazer é preservar os espaços (que os partidos já têm). Então o natural é que o candidato (em Fortaleza) seja do PT", declarou o governador em entrevista concedida ontem à rádio CBN, acrescentando sentir-se responsável por zelar pela aliança que vem se consolidando há várias e sucessivas eleições.

Dessa forma, avisa o governador, seu empenho será quadruplicado para manter a aliança na Capital, o que também será importante para manter sua base governista coesa. Conforme explicou o governador, as eleições municipais têm suas peculiaridades locais e, dos 184 municípios cearenses, é provável que a aliança não se mantenha em muitos deles.

No entanto, explica, Fortaleza tem um peso maior e uma característica especial por deter um terço da população e a maior parte da riqueza do Estado. "Vou fazer um esforço para preservar a aliança com uma candidatura que una esses partidos em todos os municípios, mas Fortaleza sem dúvida é o mais importante", asseverou.

Empenho

Para isso, informa o governador, é preciso empenho de todas as partes no sentido de garantir uma candidatura capaz de representar os partidos e os anseios da população. "A gente tem que abrir mão, e isso vale pra lá e vale pra mim, das vaidades, das arrogâncias e das prepotências que são naturais da política", disse.

Além disso, salienta o governador, é preciso que os partidos tenham humildade durante a negociação sob risco de perder o pleito. "Ninguém é dono da verdade. Eu não sou, Luizianne não é, Eunício não é. Nenhuma liderança é. Precisamos ter humildade pra saber que eleição não se ganha de véspera. E Fortaleza já deu lições de que quem pensar assim está fadado a um grande erro", declarou.

Para Cid Gomes, a mediação de lideranças políticas como o ex-presidente Lula e a presidente Dilma poderá ser bastante útil, caso se instale um impasse diante da escolha do candidato. "Podemos procurar essa mediação. Às vezes, quem vê de fora consegue observar a questão com menos sentimento".

Para Cid, antes de tudo isso é preciso que os partidos da base cheguem a algum entendimento e definam os objetivos para a eleição do próximo ano. O governador destacou ainda que uma aliança respaldada por partidos como PSB, PT, PMDB, PCdoB e PP tem credibilidade. "Nós não somos aventureiros", declarou.

Conforme Cid Gomes, também não adianta pensar que a manutenção da aliança representa a vitória eleitoral, embora essa união fortaleça bastante a candidatura. "Minha preocupação maior é de que a gente possa ter uma candidatura que represente a aliança e a população", reiterou.

Enquanto Cid multiplica esforços para manter a aliança na Capital, Ciro Gomes, que organiza o PSB no Interior, vê a ideia a contragosto. Sobre isso, o governador disse que em qualquer partido existem ideias divergentes principalmente sobre essas questões conjunturais, acrescentando que seu diálogo com o irmão é franco.

"O Ciro é pra mim uma referência. Se ele disser: Cid, o caminho é esse e ficar por perto, está resolvido. Mas nós dialogamos. A nossa relação é franca. O que o Ciro tem dito é que o PSB tem quadros pra disputar, mas ele não tem mandato. Eu tenho esse sentimento que está desobrigado dele", explicou, ressaltando que em outros momentos já manteve postura divergente. Na eleição passada Ciro apoiou Patrícia, e Cid a Luizianne.

Problemas

Ciente de que o principal desafio de Fortaleza continua sendo a área da saúde, o governador reafirmou, ontem, o seu compromisso de construir um novo hospital de urgência com 500 leitos no Anel Viário e de implantar novas unidades de pronto-atendimento na Capital, com o intuito de desafogar a demanda do Instituto José Frota (IJF).

"Eu não quero aqui fazer crítica. Eu faço pesquisa, porque eu preciso saber onde o calo dói. Em Fortaleza, o problema maior é na saúde. No Interior, é emprego", declarou o governador, para justificar sua avaliação. Ele disse ainda que as soluções para os problemas em Saúde precisam ser cotidianas e não pontuais. "Os postos precisam funcionar todo dia com médico, profissionais e infraestrutura. É complexo". Ele também fez referências às deficiências no Programa Saúde da Família, na Capital, diferente do que está acontecendo no Interior.

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