terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Lula e Mujica homenageiam Darcy Ribeiro com ‘Beijódromo’

 Lula e do presidente do Uruguai, José Mujica

O presidente Lula e o presidente do Uruguai, José Mujica, participaram juntos, na tarde desta segunda-feira (6), da cerimônia de inauguração do Memorial Darcy Ribeiro, na Universidade de Brasília (UnB) – batizado de “Beijódromo” pelo próprio antropólogo. O edifício abrigará a obra de Darcy, fundador e primeiro reitor da UnB. “Darcy Ribeiro está de volta a Brasília e cada vez mais presente na vida dos brasileiros e brasileiras e dos nossos irmãos da América Latina”, disse o presidente Lula.

O presidente Mujica disse, em espanhol, que falaria bem devagar para que todos o entendessem. Para ele, a maior homenagem que se faz a Darcy Ribeiro é entender a mensagem que ele deixou, de que o homem é um animal gregário, não vive só, necessita uns dos outros para seguir andando em busca da utopia. “É um animal socialista porque não existe sozinho”, destacou Mujica.

O público, que lotou o campus da universidade, acompanhou toda a solenidade aplaudindo as falas e as homenagens a Darcy Ribeiro. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que em função do calor, não discursaria. Mas, em suas breves palavras, explicou, para aqueles que ainda não entendiam a presença de Mujica na solenidade, que Darcy viveu exilado no Uruguai, onde lecionou e fundou uma universidade.

O ministro da Cultura do Uruguai, Ricardo Ehrlich, em seu discurso, destacou a contribuição do “latino americano” Darcy Ribeiro na educação e cultura do seu país. A exemplo dos demais oradores, disse que Darcy ajudou na construção da América Latina: “a construção da cultura que cria e transforma”, explicou.

Nave e oca: futuro e cultura
A partir de hoje, quem passar próximo à reitoria da UnB verá um prédio de dois andares, em um espaço de dois mil m², um misto de nave espacial e oca indígena. Ao entrar, encontrarão biblioteca, espelho d'água, salas de aula e climatizador natural. Há também um espaço para descanso e apresentações.

A biblioteca tem em seu acervo mais de 30 mil exemplares do professor e educador e de sua primeira esposa, a antropóloga Berta Gleizer Ribeiro, além de documentos pessoais, como cartas trocadas com Oscar Niemeyer e o filósofo francês Jean-Paul Sartre. Haverá também exposição de obras de arte brasileiras, que vão desde quadros de Portinari a artefatos indígenas.

O presidente da Fundação Darcy Ribeiro, Paulo Ribeiro, disse que o Memorial Darcy Ribeiro cumpre um de seus sonhos, que queria um espaço “na universidade que tanto amou” para abrigar todo o seu acervo. O reitor José Geraldo de Sousa Junior completou que aquele era “o último presente de Darcy para sua amada UnB”.

Janela para a vida
A partir do dia 15, a exposição com parte do acervo de 830 peças da Fundação Darcy Ribeiro será aberta ao público. São quadros, objetos, esculturas, 17 mil fotos, 23 mil livros, cinco mil periódicos. A mostra é uma janela para a vida de Darcy e o que ele representou para o país, uma visita às  
várias facetas da história do educador. Parte da exposição foi antecipada para receber os presidentes Lula e Jose Mujica, do Uruguai.

Quatro espaços integrarão um painel sobre as principais áreas de atuação de Darcy: antropologia, política, educação e utopia. “No último será exibido em vídeo com frases e pensamentos dele”, explica a curadora Isa Ferraz. Os outros três exibem desde fotos tiradas pelo próprio Darcy em tribos indígenas até documentos importantes da sua trajetória política, passando por objetos pessoais dele e da mulher, Bertha Ribeiro.

Trajetória de Darcy
Darcy Ribeiro é um dos cientistas sociais brasileiros de maior renome no mundo, por sua grande contribuição à defesa da causa étnica. Consagrou-se como alguém que propunha uma reflexão do Brasil a partir da amplidão de sua cultura, e já enxergava que as expressões populares seriam capazes de auxiliar uma "leitura" mais completa do país. 

Começou sua vida profissional como antropólogo, passando à área educacional; também concretizou projetos na área ambiental, e, por sua intensa produção de livros, passou a ocupar, em 1993, a cadeira de número 11 da Academia Brasileira de Letras. 
Entre as obras que idealizou, além da UnB, estão os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), centros culturais e, em oito países, criou ou recriou universidades, além de deixar inúmeras obras traduzidas para diversos idiomas. Entre as instituições criadas por Darcy estão ainda o Museu do Índio, a Biblioteca Pública Estadual, a Casa França-Brasil, a Casa Laura Alvim, o Centro Infantil de Cultura de Ipanema e o Sambódromo, todos no Rio de Janeiro, além do Memorial da América Latina, edificado em São Paulo com projeto de Oscar Niemeyer.

De Brasília
Márcia Xavier

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