sexta-feira, 15 de junho de 2012

DESENVOLVIMENTO Crise no Banco do Nordeste coloca em xeque o fomento à região

conomistas e o setor produtivo avaliam crise que o banco passa e os impactos para o desenvolvimento do NE
A crise política e de gestão pela qual passa o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), tendo em vista as denúncias de fraudes na utilização dos recursos em operações de crédito realizadas pela instituição, na opinião de economistas e representantes do setor produtivo estadual, coloca em xeque o futuro do principal banco de fomento para o desenvolvimento econômico e social da região. Afinal, o BNB configura-se como gestor de um das mais importantes linhas de financiamento para as empresas nordestinas, a exemplo do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Para eles, a situação é lamentável, pois veio à tona justamente no momento em que o banco luta por mais aporte de recursos para avançar em sua atuação, assim como tenta manter a exclusividade na gestão do Fundo para o Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), criado por meio da Medida Provisória (MP) 564/2012.



Questionamentos

O fato, é que mesmo envolvido nas denúncias, já foi sinalizado, por meio dessa medida, o aporte de R$ 4 bilhões até 2014, tendo em vista sua capitalização. Ao mesmo tempo, ainda que não venha a operacionalizar sozinho o FDNE, o banco deverá ter a preferência nas contratações.

Entretanto, apesar da boa notícia, o mercado tem questionado sobre a continuidade dos investimentos necessários à manutenção do crescimento da economia nordestina.

Na avaliação do economista Andrei Simonassi, coordenador do curso de Finanças da Universidade Federal do Ceará (UFC) e professor do Caen - programa de mestrado em Economia da UFC - um episódio como este, quando põe em xeque a utilização das fontes de recursos de forma eficiente provoca dois questionamentos.

"Será que o Nordeste vai continuar crescendo? Pois a gente começa a duvidar sobre a continuidade dos investimentos necessários para o avanço das economias locais. Ao mesmo tempo, se de um lado está sendo garantido esse aporte de R$ 4 bilhões para capitalização do banco, do outro verifica-se que os recursos gerenciados pela instituição não sendo utilizados eficientemente, será que isso não pode comprometer o potencial de desenvolvimento da região?". "Claro que só vamos saber com a apuração dos fatos", argumenta o economista.


Andrei Simonassi: dúvida sobre a continuidade dos investimentos necessários FOTO: DIVULGAÇÃO

FDNE
Nesse contexto, Simonassi acredita que a quebra de monopólio na gestão do FDNE , tirando a exclusividade do BNB, poderá a ajudar a alocar de maneira mais eficiente os recursos disponibilizados. "Dá mais chance para que outras instituições venham a enxergar mais oportunidades de investimento e evita o que está acontecendo agora", afirma.

Impacto negativo

Conforme explica Fernando Castelo Branco, diretor da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e integrante do Conselho Temático de Economia, Finanças e Tributação, "não há dúvida do impacto negativo para a imagem do banco, até pelo momento em que a revitalização do BNB passa a ser objeto de uma MP".

"O Ministério da Fazenda deu parecer favorável ao aporte de R$ 4 bilhões para capitalização do banco. Mas a medida ainda será votada em Congresso. Pode ser que diante do quadro atual, algum parlamentar não veja com bons olhos aprovar a injeção de recursos em um banco regional em meio a essa situação", pondera.

De acordo com ele, o BNB precisa voltar a ser "isento de influências políticas, adotando perfil mais técnico e desenvolvimentista". "Essa crise poderá vir a influenciar as decisões futuras relacionadas ao banco, podendo criar, ainda, um cenário restritivo na defesa dos recursos para a região", destaca.

Dessa forma, analisa: "O BNB deve tomar atitudes que mostrem que este é um episódio pontual, que não condiz com a atuação normal do banco. Assim, a diretoria precisa ser ágil em apurar e tomar as medidas cabíveis", acrescenta.

Agilidade

Ao lado da cobrança por agilidade por parte da direção do BNB na solução do caso, a presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC), Nicole Barbosa, também defende que a bancada nordestina no Congresso deva ter um papel político fundamental para não deixar que a instituição enfraqueça. "A situação é lamentável e acho que o momento é crucial para adoção de medidas corretas, a fim de que o Nordeste não sofra. A gente observa que os últimos governos federais não têm tido preocupação em tratar o BNB como ele merece".

"A sinalização dos R$ 4 bilhões é positiva, mas é fundamental que a bancada assuma um papel político em prol do fortalecimento do banco e em favor do desenvolvimento da região. O BNB é patrimônio do Nordeste e merece ser tratado com respeito e responsabilidade", complementa.

Brasil: 2º pior desempenho da América do Sul

Brasília.
 A atividade econômica do Brasil deve repetir 2011, quando cresceu 2,7%, e será o segundo pior desempenho da América do Sul, ganhando apenas do Paraguai, que terá retração de 1,5% em sua economia este ano, de acordo com relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), divulgado ontem.

O organismo das Nações Unidas manteve a projeção de expansão de 3,7% para a América Latina e o Caribe. Abaixo, portanto, dos 4,3% alcançados em 2011. As maiores taxas de crescimento, de acordo com previsão da Cepal, serão registradas pelo Panamá (8%), Haiti (6%), Peru (5,7%), pela Bolívia (5,2%), Costa Rica (5%), Venezuela (5%) e pelo Chile (4,9%) e México (4%). A segunda maior economia da América do Sul, a Argentina, terá evolução menor, de 3,5%, segundo a Cepal, mas ainda à frente do Brasil. Nesse quesito, a agência das Nações Unidas contradiz o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), que derrubou a projeção de crescimento da vizinha Argentina de 3,5% para 2,2%, enquanto previa 2,9% para o Brasil e 3,5% para a América Latina em geral.

ANCHIETA DANTAS JR.REPÓRTER 

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