quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Região Metropolitana do Cariri: Economista aponta desafios


Yaçanã Neponucena


Pensar além das cadeias de demandas municipais e lidar com a heterogeneidade. Este é o principal desafio dos gestores públicos da Região Metropolitana do Cariri. De acordo com a socióloga e economista Tânia Bacelar, a região segue a uma lógica nacional de desenvolvimento das cidades de médio porte. Apesar de estar acima das estatísticas de crescimento e ser considerado um fenômeno, onde apenas o Produto Interno Bruto (PIB) de Juazeiro do Norte quase triplicou em um período de cinco anos, passando de R$ 670 milhões em 2003, para um R$ 1,9 bilhão em 2008, o Cariri ainda tem demandas por serviços básicos de infraestrutura. Em termos de gestão, falta mais interação entre os prefeitos da região.


A maioria das cidades que compõem a RMC tem basicamente uma economia rural. Para a Tânia Bacelar, é preciso repensar as prioridades regionais, que atualmente os gestores públicos apontaram como sendo o turismo e a produção industrial de calçados. Ela afirma que a região tem potencialidades pulsantes e que poderá se fortalecer também como polo de saúde, educação e econômico, gerando novos empregos, atraindo imigrantes e investimentos, que deverão impulsionar o processo dinâmico de melhorias e avanços regional, tendo em vista as recentes instalações de universidades e centros hospitalares.

"Reconheço que essas atividades são de fundamental importância, mas vejo que a região precisa pensar em outros potenciais mais amplos. Certamente, essas outras atividades irão crescer e poderão gerar um desenvolvimento excelente".

De acordo com a economista, o aumento da renda das famílias e os investimentos governamentais na área de infraestrutura atraíram capital privado para a região. "Não dá para entender o que acontece aqui se não olharmos para o Brasil. Mas, esse crescimento é resultado destes dois tipos de investimentos", explica ela.

Mas, ela aponta a falta de técnicos permanentes em gestão como sendo a principal dificuldade atual da administração pública e avalia que as universidades são instrumentos preponderantes na formação profissional de novos gestores.

Inegavelmente, o Cariri é um dos principais polos de turismo religioso do País, chegando a receber mais de um milhão de turistas anualmente. Entretanto, a principal dificuldade que impede o incremento do setor é a ausência de um aeroporto capaz de atender à demanda de voos. Atualmente, o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes não tem acompanhado o crescimento da demanda de passageiros. Falta infraestrutura para um maior fluxo de voos diários. Devido à importância e a evolução do turismo na Região Metropolitana do Cariri, o Governo do Estado está destinando ao setor uma atenção especial, por meio do projeto Roteiros da Fé, que está em fase de aprovação, como parte do projeto Cidades do Ceará - Cariri Central. A medida deverá estabelecer a estruturação necessária para um roteiro de peregrinação religiosa na área central de Juazeiro.

Geopark Araripe

Além dos investimentos no turismo religioso na região há o seguimento do turismo científico, que vem sendo fortalecido por meio de investimentos do Governo do Estado. Está previsto para dezembro a inauguração da sede do Geopark Araripe. O secretário das Cidades do Ceará, Camilo Santana, aponta o setor como uma das soluções para o processo de desenvolvimento da RMC. "Não há como pensar o desenvolvimento da região metropolitana de forma isolada, por cidade, mas envolvendo o conjunto com suas peculiaridades de forma integrada", revelou. Camilo disse ainda que irá amanhã a Brasília pleitear recursos e discutir a implantação do Anel Viário do Cariri.

Ontem, prefeitos, secretários, historiadores, economistas e lideranças políticas de nove cidades da Região Metropolitana do Cariri estiveram reunidas em um debate, realizado na Universidade Regional do Cariri (Urca). O evento discutiu as potencialidades e desenvolvimento da região. Na ocasião, foi proposto um seminário para debater o processo efetivo de ações e gestão das cidades da RMC. A especialista Tânia Bacelar foi convidada a fazer a abertura. Mas, o seminário só deverá acontecer no próximo ano.

Foto: Thiago Gaspar

Fonte: Diário do Nordeste

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