segunda-feira, 30 de julho de 2012

Em busca da conexão ideal

Diante de várias tecnologias, entre soluções fixas e móveis, o usuário fica na dúvida sobre qual tipo de conexão escolher para ter acesso à internet em banda larga
Conectar-se à web tornou-se uma atividade quase indispensável no cotidiano de quem precisa ou deseja ficar online. E nos últimos anos, com a evolução das tecnologias de conectividade, o acesso à banda larga tem aumentado em todo o mundo. O Brasil, de acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), conta com mais de 50 milhões de assinantes de banda larga, número que deve aumentar ainda mais nos próximos anos.



Essa alta demanda traz consigo diversas alternativas de conexão à internet, seja de forma fixa ou móvel, adequadas à necessidade de cada usuário. Entre os serviços de banda larga fixa, as mais populares são as conexões via ADSL e cabo. Ideais para uso em residências e empresas, elas utilizam, respectivamente, as linhas telefônicas e a estrutura das TVs a cabo para fornecer acesso à internet aos usuários.

A tecnologia ADSL pode ser considerada uma evolução da quase extinta "internet discada", mas, ao contrário de sua antecessora, permite o acesso à internet sem interferir no uso da linha telefônica para ligações. Uma de suas principais vantagens é a vasta gama de velocidades de conexão oferecidas pelas operadoras. As principais concessionárias ofertam pacotes que variam de 1 a 100 megabits por segundo (Mbps), com preços que vão de R$ 40 a R$ 500 mensais.

Segundo o técnico em informática Humberto Fraga, essas velocidades, apesar de razoáveis no contexto da banda larga no Brasil, quando comparadas às de outros países, são bem inferiores. Além disso, de acordo com o especialista, os preços dos pacotes podem variar até mesmo entre as regiões brasileiras. "Esse preço aqui é mais caro que na região Sudeste e muito mais caro que no exterior. Em Portugal, por exemplo, uma conexão de 24 Mbps custa apenas 20 euros", destaca.

Desempenho
Por se tratar um serviço compartilhado, o desempenho da rede pode variar de acordo com a quantidade de usuários utilizando o serviço ao mesmo tempo, tornando-se mais lento nos horários de pico. O mesmo não acontece com a conexão a cabo. A tecnologia funciona de forma semelhante à ADSL, mas não há variações de velocidade durante o dia. É comum que empresas de TV por assinatura ofereçam o acesso à internet vinculado aos pacotes de canais de televisão e linha telefônica, numa espécie de "combo" que pode ser de melhor custo-benefício ao usuário que utiliza os três serviços.

Assim como na conexão ADSL, a oferta de velocidades de internet a cabo é diversificada e também pode chegar aos 100 Mbps. Os preços podem ser mais generosos do que os de sua concorrente. Geralmente, variam entre R$ 30 e R$ 400.

No entanto, as duas tecnologias de banda larga fixa mais populares no Brasil encontram um empecilho. Ambas possuem abrangências limitadas, restritas aos centros urbanos e outros lugares onde existam linhas telefônicas ou sistemas de TV a cabo já instalados. Uma outra alternativa seria, então, a conexão de internet via rádio, bastante utilizada em condomínios residenciais. Nesse tipo de conexão, geralmente, o sinal vem de uma antena instalada no topo dos edifícios e é difundido a partir de um roteador e de fios que irão alimentar os apartamentos.

A vantagem da conexão via rádio é que ela não exige do usuário a contratação prévia de um outro serviço - como a linha telefônica ou a TV por assinatura. O acesso via rádio exige apenas a instalação de um sistema de cabos de rede.

Sem fios

Outro tipo de internet banda larga, o acesso Wi-Fi pode ser considerado uma categoria à parte de conexão. Apesar de oferecer relativa mobilidade aos usuários, ao contrário do que a maioria pensa, a conexão wireless não pode ser considerada, de fato, como internet móvel. Isso porque, segundo o técnico Humberto Fraga, ela está restrita à área delimitada pelos pontos de acesso fixo que disponibilizam a tecnologia, os chamados "hotspots". A mobilidade, na verdade, vem da diversidade de aparelhos eletrônicos portáteis que podem se conectar à web a partir dela, desde notebooks a smartphones e tablets - mas sempre dentro de seu raio de cobertura no local.

Em todo o mundo, o Wi-Fi tornou-se comum em locais públicos, como praças, aeroportos, restaurantes, e até mesmo dentro das residências e das empresas, como uma forma de estender a conexão da banda larga fixa até pontos mais distantes, promovendo o compartilhamento de acesso.

A possibilidade de dispensar fios e cabos é uma das principais vantagens desse tipo de conexão, mas também pode exigir mais cuidados dos usuários. "O Wi-Fi vai exigir que tenha mais segurança porque qualquer pessoa que chegue ao seu alcance vai poder se conectar. Se isso acontecer, além de estarem se aproveitando de um serviço que você está pagando, se elas cometerem um delito, isso vai ficar registrado como se você tivesse feito", alerta o especialista Humberto Fraga.

As velocidades e preços dependem do serviço de internet fixa contratado, e também do tipo de conexão Wi-Fi, que pode variar em relação à rapidez e ao alcance, de acordo com o objetivo do usuário.

Terceira geração

A mobilidade de fato é possível, atualmente, com a conexão 3G, a chamada terceira geração. Bastante popular desde o seu lançamento no país, em 2007, a tecnologia é um serviço de banda larga sem fio que pode ser acessada em celulares e computadores a partir de modems portáteis ou módulos 3G embutidos nos aparelhos. Mas a grande vantagem da mobilidade logo é mascarada pelos problemas na conexão. "O serviço é instável, pode variar em relação à ação climática e de acordo com a quantidade de pessoas que estão usando naquela área. Esse problema atual das operadoras se deve, em certo ponto, a isso. Muitas pessoas estão usando e o desempenho acaba diminuindo. Isso vale tanto para o sinal telefônico quanto para o 3G", ressalta o técnico em informática Humberto Fraga.

Além desse problema, os preços do 3G são pouco atrativos, uma vez que as operadoras exigem que o usuário compre o modem portátil e a oferta de velocidades de conexão disponibilizada é baixa e repleta de condições. "Nas propagandas, o 3G é sempre ´ilimitado´, mas na prática não é tanto assim. Quando você ultrapassa a franquia de transferência de dados do plano que contratou, sua velocidade é cortada. Isso é uma coisa à qual o consumidor tem que ficar atento", alerta Humberto.

O especialista indica, ainda, que a conexão de banda larga 3G não é a melhor alternativa para uso doméstico, se comparada às opções de banda larga fixa. O alcance da conexão e o custo-benefício do serviço são fatores que devem ser considerados pelo usuário. "O 3G é mais caro porque dá essa mobilidade real. Por isso, contratar um 3G para usar em um só ponto é, de certa forma, desperdiçar um valor em dinheiro", destaca técnico Humberto Fraga.

Velocidade real merece atenção
Uma das principais reclamações dos usuários de internet diz respeito à velocidade da conexão. De acordo com o tipo de acesso, o carregamento de páginas e outros recursos da web pode se tornar mais lento, causando irritação àqueles que precisam utilizar a internet todos os dias.


Alguns serviços oferecem ferramentas de medição da verdadeira velocidade da conexão, que nem sempre é a mesma anunciada pela operadora

Um fato interessante é que, segundo os dados de uma pesquisa realizada pelo CETIC.br, cerca de 30% dos usuários no Brasil, na verdade, desconhecem a velocidade de sua própria conexão. No Nordeste, esse índice também é de 30%. Outra informação que a grande maioria dos usuários desconhece é que a velocidade de conexão oferecida pelas empresas em seus pacotes é, na realidade, um máximo - ou seja, elas não são obrigadas a entregar exatamente a quantidade de megabits por segundo anunciada nas propagandas.

Por contrato, as prestadoras de serviços de internet banda larga fixa e móvel se comprometem a oferecer apenas 10% do que foi acordado, regra que pode passar despercebida por aqueles que não leem todo o documento antes de assinar o pacote.

Em outubro de 2011, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou os novos regulamentos de qualidade da banda larga fixa e móvel no Brasil. Com a decisão, as prestadoras desse serviço estão obrigadas a garantir, a partir de novembro deste ano, velocidade de conexão instantânea mínima de 20% da contratada pelo assinante e velocidade média de 60%. Esses números devem aumentar até o ano de 2015.

Outra exigência é que as operadoras de banda larga fixa passem a oferecer, gratuitamente, um software de medição de velocidade ao usuários. Enquanto o cumprimento das metas ainda não é exigido, alguns sites disponibilizam ferramentas medidoras da velocidade de conexão em qualquer computador.

O portal SpeedTest.net fornece os números de velocidade em até mais de uma máquina, além de permitir ao usuário gerenciar o histórico de testes e agrupar suas conexões. O sistema também está disponível na forma de aplicativo para dispositivos móveis com sistemas operacionais Android e iOS (iPhone e iPad).

No site do Sistema de Medição de Tráfego na Internet (Simete), é possível realizar testes de desempenho das redes e ver um mapa de qualidade da internet no Brasil, que identifica a velocidade de download em diversas cidades do país. 

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