domingo, 21 de novembro de 2010

Cultura Glocal - PROVOCAÇÕES

A Convenção da Unesco sobre diversidade cultural, que acaba de completar 5 anos, aprofunda uma importante discussão no mundo contemporâneo. A relação entre cultura global, massificada, representada sobretudo pelo poderio dos conglomerados de mídia e pela indústria de imagens de Hollywood; e o poder de cada nação em implementar suas políticas de preservação e salvaguarda em relação à própria cultura.
Nesse processo de construção da Convenção, a sociedade civil teve direito à participação. Estive à frente de uma organização internacional fundamental nesse processo, a INCD (Rede Internacional pela Diversidade Cultural). Na época brigamos muito pela inclusão da palavra “promoção” no título e no texto da Convenção. Acreditávamos que a única maneira de “preservar” uma cultura, uma língua, um modo de vida, uma atividade artística ou cultural, era promovendo-a.
Mas não promover apenas a própria cultura. É preciso promover a diversidade, o acesso irrestrito a todas as matrizes, fontes e produções culturais de todo o mundo, com diferentes cores, linguagens e formatos. O desafio era (e continua sendo) buscar uma maneira de barrar o crescente domínio das indústrias culturais dominantes sem barrar a produção independente.
econômico sobre o cultural. O fluxo de informação é medido pela balança comercial e não por seus efeitos culturais, cada vez mais preocupantes nas sociedades videocráticas em que vivemos.
Desde que a Convenção foi promulgada, venho desenvolvendo uma pesquisa colaborativa, no âmbito da RAIA (Rede Audiovisual Ibero-americana), sobre as dimensões políticas, econômicas e culturais desse fenômeno, que culmina com uma nova configuração do espaço midiático, potencializado pela Cultura da Convergência. Como resultado dessa pesquisa (que se revela também em livro ewebsite), acabo de finalizar o Ctrl-V 2.0, a segunda parte do documentário (ainda sem legendas), lançado hoje, dia 19, em Barcelona, que apresenta essa problemática com depoimentos de especialistas, pesquisadores, estudiosos, ativistas e pensadores da várias partes do mundo. O tema central é a relação entre indústrias globais e cultura local, tendo como pano de fundo a diversidade cultural:
Convido os leitores de Cultura e Mercado a debater sobre o tema.

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