segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O futuro do livro no Fórum de Cultura Digital

O futuro do livro e da leitura a partir do livro digital foi o centro do debate em duas mesas do seminário do II Fórum da Cultura Digital Brasileira 2010 na segunda-feira, 15 de novembro. No seminário, o americano Bob Stein, do Institute for the Future of The Book, e Giselle Beiguelman, do Instituto Sérgio Motta e da PUC-SP, levantaram questões sobre o que muda na leitura e no aprendizado com a chegada dos livros digitais.
Bob Stein é um empreendedor e pensador da cultura digital. Nos anos 80, fundou a The Voyager Company, que popularizou os CD-ROMs interativos para instituições como o Museu do Louvre e a National Gallery e criou a Criterion Collection, responsável pelo relançamento de grandes clássicos do cinema em DVD. Para ele, é hora de repensar a experiência da leitura uma vez que são muitos os futuros apontados para o livro no começo do século 21.
“Se perdemos um pouco da experiência tátil e sensitiva do livro com a chegada das publicações digitais, também podemos ganhar muito com o que o livro digital nos traz de novo. Com os links, abertura para participação dos leitores, o livro se torna um espaço de congregação de leitores e até do autor. Deixa de ser uma experiência solitária para se tornar uma experiência comum de construção do conhecimento”, disse Stein.
Como exemplos, ele apresentou algumas experiências desenvolvidas no site “Future of The Book”onde livros são divididos como posts de um blog e abertos a comentários dos leitores. “O autor e o leitor ocupam o mesmo espaço e dessa maneira quem escreve ou propõe o texto se torna uma espécie de moderador de seminário”, define.
Para Giselle Beiguelman, com o surgimento das telas sensíveis ao toque (touchscreen),”cada vez lemos mais com as mãos do que com os olhos. A leitura não necessariamente é linear mas passa por uma trajetória de hiperlinks, áudio e vídeo.”
Stein ainda defendeu que tal concepção retoma a experiência antes de Gutemberg, quando o aprendizado era conduzido por leituras coletivas e os comentários sobre o escrito eram registrados nas margens. “A leitura era um processo de construção coletiva do conhecimento e está voltando a ter esse papel.”
Em sua opinião, o novo livro da cultura digital deveria partir do princípio da narrativa de videogames, como o War of Craft, que reúne 11 milhões de pessoas que constroem uma narrativa a partir da disputa criada em um coletivo. “Se a invenção da impressão foi fundamental para a consolidação do conceito de indivíduo, os suportes digitais de leitura estão reinventando uma leitura e uma construção de narrativas socializada.”
*Com informações da Assessoria de Imprensa do Ministério da Cultura.

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