terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CHUVAS NO CARIRI Crato espera verba para reconstrução

Mobilização no Estado e em Brasília busca agilizar liberação de verba para recuperação de áreas no Crato
Crato. A cada chuva, aumenta o número de desabrigados neste Município. Oficialmente, são175 famílias que perderam suas casas. De acordo com levantamento feito pela Secretaria do Meio Ambiente do Município, 166 casas foram danificadas, oito passagens molhadas e quatro pontes deterioradas, 982 metros de calçamento e 9.500 metros quadrados de asfalto arrastados pelas águas, 1.050 metros de rede de abastecimento d´água destruídos. Este é o resultado parcial dos prejuízos causados pela tromba d´água que desabou sobre a cidade do Crato. O relatório Secretaria será entregue às autoridades para liberação de recursos.



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"Se continuar chovendo forte, o Crato será isolado. As principais pontes que dão acesso à cidade foram danificadas pela tromba d´água que desabou sobre o Município no dia 28 de janeiro". A advertência é do prefeito Samuel Araripe, com base em avaliação feita por técnicos do Governo do Estado que estão elaborando o plano emergencial de recuperação dos danos causados pelas chuvas.

Investimento
Samuel Araripe se reúne hoje com técnicos do Governo do Estado, para dar andamento aos projetos que estão sendo elaborados, enquanto o vice-prefeito, Raimundo Filho, viaja à Brasília, a fim de acompanhar a liberação dos recursos. 

Nesta primeira etapa, está calculado um investimento de R$ 6 milhões, que serão aplicados na restauração de pontes e estradas. O projeto definitivo para construção do canal do Rio Granjeiro, que passa por dentro da cidade, está estimado em R$ 100 milhões. 

O prefeito destacou o interesse do ministro da Integração Nacional, Fernando Coelho Bezerra, na liberação destes recursos. O apoio foi manifestado, segundo ele, durante audiência com a comissão de representantes do Crato na Assembleia e na Câmara Federal e reafirmado, no fim de semana, para o deputado José Arnon, que acompanhado as iniciativas que estão sendo tomadas para recuperação dos danos causados pelas chuvas.

O Governo do Estado, por meio da Defesa Civil, está realizando todos os procedimentos para notificação e avaliação dos danos, para que, em seguida, seja encaminhado ao Ministério da Integração Nacional.

O governador em exercício, Domingos Filho, autorizou fazer uma agenda de ações nos Municípios afetados pela calamidade, com uma limpeza urgente nos locais atingidos, bem como a realização de estudo técnico para mudança do curso das águas do canal, evitando, assim, novas enchentes.

Aos poucos, a cidade retoma as atividades normais. Os comerciantes estabelecidos nas margens do canal reabriram as portas. Alguns deles tiveram as notas fiscais extraviadas pela enchente. Está havendo uma negociação com a Secretária da Fazenda (Sefaz) para dispensa dos impostos estaduais. O medo de uma nova enchente não desapareceu. Alguns moradores da Rua Pedro II, nas proximidades da Prefeitura, estão saindo das casas que foram inundadas.

Os prejuízos de uns se transformam em fonte de renda para outros. O vídeo com as imagens dramáticas da enchente, que estava sendo vendido a R$ 10,00, e cuja renda seria destinada às vitimas da chuva, já está nas bancas dos camelôs ao preço de R$ 2,00. Artistas regionais, professores e voluntários estão promovendo shows, aulas culturais e campanhas de arrecadação de alimentos para as vítimas das enchentes no Município.

Encosta do Seminário
Enquanto as atenções estão voltadas para a destruição do canal do Rio Granjeiro, que passa por dentro da cidade, moradores do Bairro do Seminário cobram das autoridades a execução do projeto de urbanização e recuperação ambiental do lugar, que tramita há oito anos, no Ministério das Cidades.

As áreas a serem corrigidas no Bairro Seminário foram degradadas tanto pela natureza, por falta de infraestrutura, como pelos próprios moradores, que fizeram do local um verdadeiro depósito de lixo. O risco é iminente. A cada chuva, aumentam as erosões. 

Um dos problemas, segundo os técnicos da Prefeitura, é a resistência de alguns moradores de sair de suas casas. A dona-de-casa Maria da Penha, que mora próximo a um grotão, não quer sair da área de risco, mesmo diante do perigo.

Solução
Outros moradores reclamam da falta de providências para solução de pequenos problemas como, por exemplo, a falha no sistema elétrico de uma pracinha localizada na margem da encosta do Seminário.

A Prefeitura do Crato justifica que está prevista a execução de um projeto de revitalização da encosta. O aposentado Antônio Barros, que cuida da pracinha, não acredita na execução da obra. "Há muito tempo que falam nesta revitalização", diz ele, meio descrente.

Tábua de chuvas
Caucaia 96.0
Maranguape 90.0
Coreaú 80.0
Limoeiro do Norte 75.6
Fortaleza 71.0
Maracanaú 64.0
Itapipoca 60.8
Caririaçu 59.0
Pacatuba 54.0
Pindoretama 50.0

Fonte: Funceme

Enquete Medo de enchente
"Mandei construir um muro na porta da cozinha, mas o medo de uma nova enchente continua aqui no bairro onde moro"
Cícero BotelhoComerciante

"Há muito tempo que se fala na revitalização do Morro do Seminário. Queremos o conserto da energia elétrica da pracinha"
Antônio BarrosAposentado

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura Municipal do Crato, Largo Júlio Saraiva
Centro - Região do Cariri
Telefone: (88) 3523.9600

ANTÔNIO VICELMOREPÓRTER

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