quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cultura: fonte de inovação

No momento eufórico em que vivemos, de uma retomada de crescimento do país, é, no mínimo, oportuno olharmos para a cultura e o seu inerente potencial transformador.


Não é por acaso que nas últimas três décadas, a cultura e a economia vêm sendo abordadas como processos criativos, multidimensionais e integrados às energias das comunidades. Sob esse aspecto, ambas garantem um desenvolvimento baseado nos valores e significados das diferentes e particulares identidades locais.

Foi também nos últimos anos que se caracterizou ser da cultura a função de identificar e defender a diversidade para lidar com o fenômeno da globalização. Nesse sentido, a multiculturalidade (o grande diferencial competitivo brasileiro) expressa em vários segmentos produtivos, sob as mais variadas linguagens, tem proporcionado a formação de um capital cultural – tangível e intangível – tão valioso, gigante e diverso quanto a dimensão geográfica do nosso país.

A visão de que a cultura e a arte pertencem a um mundo paralelo e alienado às questões práticas do cotidiano, está ultrapassada. Na realidade, assistimos hoje a uma variada gama de práticas e ao surgimento de modelos de gestão empreendedora, geradores de emprego, renda e de forte impacto na economia que, também conectados com outros setores produtivos da sociedade, se tornam incubadoras de novos sistemas de valores, de trocas, de tendências e de possibilidades de crescimento sustentável.

É, portanto, na pauta dessa economia criativa que a cultura estabelece e impulsiona as possibilidades de geração de inovação. Em um ambiente instigante para as demandas “do novo”, os espaços, serviços e produtos da arte proporcionam o diálogo aberto e lúdico, a integração de expertises (as mais diversas) e a capacidade de provocar a experimentação.

Um indício claro do valor da cultura no crescimento do país também se vê nos índices que medem o consumo da classe média por produtos e serviços culturais. Maior segmento econômico do país, com mais de 95 milhões de pessoas, quase 50% da população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a nova classe média tem na cultura uma das suas prioridades de consumo.

E ainda, segundo o Relatório de Economia Criativa de 2010, da Organização das Nações Unidas (ONU), entre os anos de 2002 e 2008, apesar dos 12% de declínio no comércio global geral, o comércio mundial de bens e serviços criativos, especificamente, prosseguiu a sua expansão refletindo uma taxa de crescimento anual de 14%. Nesse panorama, o Brasil é o país da América Latina com o maior saldo positivo no comércio exterior de produtos e serviços ligados à cultura segundo o Creative Economy Report 2010 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Diante desse cenário, a questão que se coloca é: será que existe algo que melhor simbolize a capacidade humana para criar valor do que a cultura? Max Weber já sentenciava que, “Se a história do desenvolvimento econômico nos ensina alguma coisa é que quase toda diferença está na cultura”.

Quando pensamos na cultura como um processo permanente de reinterpretação de ideias, a partir dos mais variados repertórios de pessoas ou regiões, na geração do “novo”, pensamos também, imediatamente, no quanto o design é um agente fundamental da construção do diferencial do código Brasil.

Portanto, seja você quem for, faça o que fizer e esteja onde estiver, fique ligado. Aproveitar o consumo de bens e serviços culturais de forma consciente e voltada ao conhecimento é a bola da vez. Participar e integrar seu grupo, família, empresa ou organização a práticas de agentes e espaços da arte e da cultura e dar vez à experimentação são, sem volta, caminhos para inovação.

*Publicado originalmente na revista Design to Branding Magazine

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