quinta-feira, 31 de março de 2011

NO MÊS DE FEVEREIRO 24 mil empregos a menos


Serviços e comércio contribuíram de modo predominante para a perda de postos de trabalho da RMF
Apesar da estabilidade do desemprego com a permanência de 153 mil pessoas desempregadas em fevereiro - o mesmo contingente de janeiro, a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) contabilizou a perda de 24 mil postos de trabalho no segundo mês de 2011 em comparação com o mês anterior.
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A queda nas ocupações foi puxada pelos setores de serviços e comércio, que fecharam 17 mil e 10 mil vagas, respectivamente. Mulheres, jovens e demais membros da família atingiram os maiores índices de desemprego, de 10,3%, 19,1% e 12%, na mesma ordem.

O panorama geral do mercado de trabalho na RMF é apontado na edição de fevereiro da Pesquisa de Emprego e Desemprego na RMF (PED) divulgada ontem, na Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), pelo Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) em parceria com o Dieese.

Alta ante 2010
Conforme o levantamento, o número de ocupados caiu 1,5%, de 1.645.000 em janeiro último para 1.621.000 no mês passado. Porém, em comparação com fevereiro de 2010, o total de ocupações na RMF registrou alta de 4,1%, com o acréscimo de 64 mil postos de trabalho. No comparativo anual, o volume de desempregados na RMF recuou 10,5%, significando que 18 mil pessoas saíram da fila do desemprego em fevereiro/2011 face ao mesmo mês de 2010.

Setores
Em fevereiro, o número de ocupados no setor de serviços somou 712 mil pessoas contra 729 mil em janeiro, correspondendo a retração de 2,3% ou 17 mil vagas eliminadas. No comércio, foram contabilizados 334 mil ocupações no mês passado ante 344 mil em janeiro - 10 mil postos a menos e queda de 2,9%. A indústria abriu mil vagas, contabilizando 302 mil postos no último mês - um acréscimo de 0,3% frente às 301 mil ocupações do primeiro mês do ano. Já a construção civil manteve as 115 mil ocupações verificadas em janeiro.

Sazonalidade
Os dados refletem a sazonalidade do período, de acordo com Junior Macambira, diretor de Estudos e Pesquisas do IDT. "O comércio cumpre o comportamento sazonal dos primeiros meses do ano. É um período de acomodação natural do setor", reforça. Sobre os serviços, ele diz que o desempenho do Turismo não foi o mesmo de outros anos. o excesso de chuvas pode ter contribuído para o recuo.

Recuo
1,5% foi a queda nos números do emprego na Região Metropolitana de Fortaleza entre janeiro e fevereiro, conforme pesquisa divulgada pela Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social

CRESCIMENTO DE 14,2%
Formalização do mercado segue em evidência

Apesar de evolução nos empregos formais, Fortaleza foi a Capital brasileira que anotou o pior rendimento

Mesmo com a queda do nível ocupacional, o emprego com carteira assinada continua em crescimento. Considerando o número de ocupados na RMF em fevereiro, o total de postos com carteira assinada no setor privado cresceu 14,2% no comparativo anual e 0,3% no mensal passando, respectivamente, de 564 mil e 642 mil pessoas para 644 mil trabalhadores com carteira assinada no mês.

Na contramão, o número de ocupações sem carteira assinada na iniciativa privada caiu 6,3% face a fevereiro de 2010 e 4% em relação a janeiro deste ano. O total de assalariados sem carteira assinada foi de 193 mil pessoas contra 201 mil em janeiro. "O movimento geral, tanto na RMF como em nível nacional, é de formalização do mercado de trabalho, com redução dos autônomos e dos postos sem carteira assinada", atesta Mardônio Costa, analista de mercado de trabalho do IDT.

Pior rendimento
Dentre as sete regiões metropolitanas onde a PED é aplicada, a Região Metropolitana de Fortaleza manteve a terceira menor taxa de desemprego (8,6%) verificada em fevereiro, perdendo apenas para Porto Alegre (7,3%) e Belo Horizonte (7,8%).A colocação positiva no quesito taxa de desemprego, porém, contrasta com os baixos salários percebidos pela maioria da população. Em fevereiro a RMF continuou apresentando o pior rendimento médio real, estimado em R$ 871,00.

O maior rendimento médio real ficou com o Distrito Federal (R$ 2.098,00) seguido de São Paulo (R$ 1.505,00), Porto Alegre (R$ 1.393,00), Belo Horizonte (R$ 1.361,00), Salvador (R$ 1.089,00) e, por fim, Recife (R$ 938,00).

"Isso mostra que apesar de pujante, nossa ocupação ainda é muito ligada à informalidade, o que puxa os salários para baixo", esclarece Ediran Teixeira, do Dieese. (AC)

Pujança insuficiente
"Apesar de ser pujante, nossa ocupação ainda é muito ligada à informalidade"Ediran Teixeira
Coordenador da PED no Dieese

PERDAS
Mulheres e jovens têm mais dificuldade

Maiores níveis de elevação no desemprego ficaram por conta das mulheres e dos jovens entre 16 e 24 anos
Dentre a população de desempregados na RMF, em fevereiro, o destaque ficou com as mulheres, os jovens entre 16 e 24 anos, além dos demais membros da família. Esses segmentos apresentaram os maiores níveis de elevação de desemprego entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011.

Os mais apenados foram jovens e mulheres. A taxa de desemprego das trabalhadoras passou de 9,7%, em dezembro do ano passado, para 9,9% em janeiro, atingindo o índice de 10,3% em fevereiro ante a taxa de 7,1% dos homens.

No mesmo período o desemprego jovem evoluiu de 18,7% (dez/10) para 18,9% (jan/11), chegando ao ápice de 19,1% no mês passado.

Considerando a posição no domicílio, a taxa de desemprego dos demais membros cresceu de 11,3% (dez/10) para 11,9% (jan/11) até 12% em fevereiro.

Pressão sobre mercado
"A alta taxa de desemprego feminino se deve à pressão cada vez maior que a mulher tem feito sobre o mercado de trabalho, que tem impulsionado o aumento gradativo da participação feminina. Elas hoje se lançam mais, tem maior nível de escolaridade que os homens e ocupam postos antes ocupados exclusivamente pelo público masculino", diz Junior Macambira.

"No tocante aos jovens, eles estão se lançando cedo demais no mercado de trabalho e em condições desiguais aos trabalhadores que já estão inseridos", observa o diretor de Estudos e Pesquisas do IDT.

O secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social, Evandro Leitão, afirma que é devido à marginalização dos jovens e mulheres no mercado de trabalho, que a STDS investe com tanta ênfase em programas de capacitação e inclusão da juventude no primeiro emprego, inclusive com a oferta de bolsas mensais no valor médio de R$ 250,00 por períodos de até seis meses, a depender do projeto em questão. (AC)
ÂNGELA CAVALCANTEREPÓRTER

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