sexta-feira, 25 de março de 2011

PERIGO Dengue 4 próxima do Ceará

A Sesa confirma uma possível epidemia do novo tipo da doença no Estado, que ainda não registrou nenhum casoA chegada da dengue tipo 4 no Ceará pode ser questão de tempo. A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) já admite esta possibilidade e não descarta a ocorrência de um possível surto epidêmico. Somente esta semana, cinco casos da doença foram confirmados, sendo um no Piauí, dois na Bahia e dois no Rio de Janeiro.
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A epidemia seria motivada pelo fato de não se ter nenhum registro no Ceará de alguém que foi acometido, até o momento, pela dengue tipo 4, desta forma ninguém está imune ao vírus e aqueles que forem picados pelo mosquito infectado apresentarão a doença e poderão transmitir a outras pessoas.

Segundo o coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa, Manoel Fonseca, os sintomas do tipo 4 são semelhantes aos tipos 1,2 e 3, a única diferença entre eles seria, justamente, a imunidade que os cearenses possuem contra estes e não possui contra o 4. "O mosquito transmissor é o mesmo e os sintomas também, porém não sabemos como este tipo irá se manifestar com relação à gravidade destes sintomas. As ocorrências nos outros Estados foram consideradas brandas".

Infestação
Apesar da expectativa de que a dengue tipo 4 venha a ser uma forma mais leve do problema, Manoel Fonseca explica que caso o índice de infestação do mosquito não seja controlado de imediato, a população deverá enfrentar vários tipos de dengue circulando ao mesmo tempo no Estado, sendo um deles considerado novidade.

Além disso, se uma pessoa que foi picada anteriormente por um dos tipos for infectada pelo tipo 4 pode vir a sofrer manifestações mais graves, já que possui no organismo uma "memória imunológica", resquícios do antigo vírus.

"Existe o risco aumentado de epidemia, porque nunca ninguém no Ceará teve o tipo 4. Não podemos afirmar por onde o problema vai começar, mas há probabilidade da ocorrência nos municípios onde o índice de infestação estiver alta".

A chegada do tipo 4 no Ceará acontece através do contato de uma pessoa infectada com um mosquito. Este, agora com o vírus, pica outra pessoa, transmite a doença e assim sucessivamente. Além disso, este mesmo mosquito deposita os seus ovos em água parada, dando origem a novos transmissores. "A difusão do tipo 4 deve ter começado no Carnaval, período em que ocorre grande circulação de pessoas no país. É possível que no Ceará já tenha pessoas com este tipo e ainda não foi registrado".

O coordenador informa que a Sesa continuará mantendo as ações que estão sendo realizadas no combate e prevenção da doença, como visita de agentes, circulação de carros fumacê e a emissão de uma nota técnica a profissionais de saúde orientando sobre a assistência aos pacientes com suspeita de dengue.

A coordenadora das pesquisas de dengue da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Maria Izabel Florindo Guedes, afirma que não há o que ser feito para impedir a chegada do tipo 4 no Estado. Segundo a especialista, ações de controle realizadas pelas secretarias de saúde municipal e estadual devem continuar, contudo é importante que a população colabore.

Neste ano, 15 pessoas morreram vítimas da dengue e mais de 5.500 casos já foram confirmados no Ceará. O boletim da Sesa com dados atualizados será divulgado hoje.

Semelhanças
A dengue tipo 4 apresenta os mesmos sintomas da dengue tipo 1,2 e 3, são eles: dor de cabeça forte, febre alta (39° a 40°), manchas vermelhas na pele, indisposição, enjoos, vômitos, dor muscular, abdominal e nas articulações e cansaço.

O perigo da dengue tipo 4 está no fato de ninguém no Ceará ter sido, até o momento, acometido pela doença, assim ninguém está imune ao vírus, aumentando ainda mais a ocorrência da doença.

A transmissão deste tipo da doença é feita da mesma maneira que os demais, ou seja, através do contato de uma pessoa já infectada anteriormente com um mosquito que passa a transportar o vírus e infecta outra pessoa, e assim sucessivamente. Já infectado, este mosquito deposita ovos que darão origem a novos transmissores da doença.
JÉSSICA PETRUCCI REPÓRTER

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