quinta-feira, 3 de março de 2011

Repúdio geral ao aumento dos juros definido nesta 4ª pelo BC

A decisão tomada nesta 4ª feira pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), de elevar a taxa básica de juros (a Selic) para 11,75% ao ano, foi repudiada de forma enérgica por setores majoritários da sociedade, que representam trabalhadores e empresários do setor produtivo.

Centrais sindicais e entidades representativas da indústria e do comércio divulgaram notas indignadas. O aumento da Selic foi realizado com o objetivo explícito de frear o crescimento da economia, a pretexto de segurar a inflação. E ocorre num momento em que a economia já dá claros sinais de desaceleração e parece caminhar para a estagnação.

Péssima notícia


Aliada ao anúncio de um ajuste fiscal, a decisão do Copom é mais uma péssima notícia para quem defende o desenvolvimento nacional. O mercado financeiro gostou e, no processo, ficou pressionando por uma Selic ainda mais gorda, de 12%. Seus motivos, vendidos como necessidade no combate à inflação, são mais elementares do que parecem.

Cada elevação de 0,50% na taxa básica de juros acrescenta cerca de R$ 9 bilhões aos ganhos dos rentistas que aplicam em títulos públicos. Quem paga a conta é o povo, embora sem o saber, já que a mídia hegemônica interdita o debate sobre o tema. Para que se concretize a transferência desses recursos à oligarquia, os governos cortam os gastos com saúde, educação, esporte, infra-estrutura, funcionalismo.

Reação das centrais

“É inadmissível. Não foi para esse tipo de política que o povo elegeu Dilma Rousseff para a Presidência. Não foi para isso que tanto pressionamos pela saída do ex-presidente Henrique Meirelles do Banco Central. A confirmação de novo aumento soa como um tapa na cara dos trabalhadores e de todos aqueles que realmente fazem com que a economia do país se movimente”, afirmou Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Em nota, a Força Sindical afirmou que “o governo, mais uma vez, atende aos interesses do capital especulativo” com a medida. “A elevação do juro, destacamos, tem múltiplos efeitos negativos sobre a economia nacional, pois promove uma transferência perversa de renda para a oligarquia financeira, prejudicando, assim, os interesses da classe trabalhadora”, diz o texto.

Para a UGT (União Geral dos Trabalhadores), o BC age “como se esse fosse o único antídoto possível contra a alta de preços, ignorando que todas as vezes em que os juros subiram o reflexo imediato foi o freio no consumo e na economia, inibindo os investimentos na produção”

A CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) afirma que “a decisão do Copom demonstra que o governo não está nem um pouco interessado em cortar gastos desnecessários, pois o aumento dos juros representa mais dinheiro desperdiçado com a especulação”.

Empresários indignados

“É com indignação que a Federação das Indústrias e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) recebem o anúncio da elevação em 0,5% da Selic", registra nota distribuída à imprensa pela entidade.


"O aumento nessa magnitude da taxa Selic é um exagero, pois as medidas tomadas pelo Banco Central em dezembro, como o aumento do compulsório, já estão reduzindo a pressão inflacionária", prossegue o documento.

"O Banco Central está incorrendo no perigoso erro pelo excesso", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) “é inadequado e desconsidera a tendência atual de evolução dos preços e da atividade econômica”.

“Há indicadores recentes que confirmam o desaquecimento da atividade, provocado por medidas de restrição ao crédito, pela valorização do câmbio e a elevação dos juros em janeiro”, disse o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade.

Já Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), diz entender “que foi a medida mais razoável possível tendo em vista as pressões inflacionárias. Agora é preciso que a presidente Dilma Rousseff resista às pressões dos partidos por mais gastos, para que ela possa fazer uma administração austera reduzindo os gastos da máquina pública, que é uma boa maneira de combater a inflação”, afirma em nota.

Leia abaixo as notas divulgadas pela CTB e Força Sindical

NOTA DA CTB

São Paulo, 02 de março de 2011

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) entende que o novo aumento da taxa de juros no Brasil, anunciado nesta quarta-feira (2) pelo Banco Central, significa um verdadeiro “tapa na cara” da classe trabalhadora do país. A decisão do governo serve, mais uma vez, apenas para atender à expectativa de lucros dos rentistas e investidores internacionais, atraídos pela maior taxa de juros do mundo.

Desde a posse da presidenta Dilma, esta foi a segunda vez que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu para definir a taxa de juros do país. Na ocasião passada, em janeiro, o BC já havia jogado um balde de água fria naqueles que esperavam por um novo rumo para as decisões macroeconômicas do país.

O discurso do BC e da equipe econômica do governo tenta transparecer como responsável, atribuindo o aumento ao processo de contenção da inflação no país. No entanto, tal teoria carece de sustentação lógica. Na prática, essa política é ineficaz e só amplia ainda mais a dívida pública, que por sua vez passa a exigir cada vez mais uma enorme carga de empréstimos para novamente financiá-la, estabelecendo um círculo vicioso que só tende a se tornar cada vez maior.

A CTB sustenta que o novo aumento de juros se torna ainda mais grave pelo fato de a presidenta Dilma Rousseff ter barrado, há poucas semanas, um reajuste mais digno para o salário mínimo. Somadas, essas duas posições escancaram um projeto de governo que não foi o escolhido pelo povo brasileiro nas urnas. Pior do que isso, suas consequências certamente se refletirão negativamente no crescimento da economia e no projeto de desenvolvimento necessário para o Brasil.

Ao lado das demais centrais sindicais e dos movimentos sociais progressistas do país, a CTB espera que o a presidenta decida enfrentar, o quanto antes, o conservadorismo da política financeira que ainda vigora no Brasil. É preciso que Dilma saiba que o povo estará ao seu lado nessa batalha, pronto para lutar até o fim. No entanto, se as mudanças não vierem, o povo também estará pronto para sair às ruas caso prevaleça a agenda conservadora que tem norteado o início deste governo.

Wagner Gomes
Presidente nacional da CTB

NOTA DA FORÇA SINDICAL

Ao elevar a Taxa Selic, o governo, mais uma vez, atende os interesses do capital especulativo, com uma clara demonstração de que o espírito conservador continua orientando a política monetária nacional.

Infelizmente, está prevalecendo uma nefasta simpatia da equipe econômica pelo mercado especulativo. Vale sublinhar que o governo que se inicia já subiu, em apenas 60 dias, duas vezes a taxa básica de juros, criando um cenário extremamente adverso à produção e à geração de emprego e renda.

É uma falácia acusar uma escalada inflacionária, justamente agora que começam a surgir alguns sinais de desaquecimento na economia. A elevação do juro, destacamos, tem múltiplos efeitos negativos sobre a economia nacional, pois promove uma transferência perversa de renda para a oligarquia financeira, prejudicando, assim, os interesses da classe trabalhadora.

Esta decisão desastrosa do governo, somada ao corte bilionário no orçamento e ao novo valor do novo mínimo, sem reajuste real, caminha na contramão do desenvolvimento econômico com distribuição de renda.

Com uma miopia econômica voltada para os interesses apenas dos integrantes da ponta da pirâmide social, o governo continua frustrando os anseios dos trabalhadores por uma sociedade mais igualitária e socialmente mais justa.

Paulo Pereira da Silva (Paulinho) agências

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