quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

13 (discretos) dias de Dilma

Olhando daqui de Trancoso, o início do governo Dilma traz um grande alívio: governo quem?
A discrição inicial da nova presidente (como é bom usar este feminino pela primeira vez na história do país) não podia contrastar mais positivamente com a necessidade de adulação e reconhecimento de seu antecessor e mentor.
Em meio a tanto continuísmo, o perfil discreto até aqui da presidente é até aqui a maior qualidade de seu governo infante.
O lulismo eleitoreiramente mitômano queria (quer) acorrentar o país todo às barbas de Lula, pai dos pobres, mãe dos ricos, dono da maior aprovação da história, sua trajetória, o verdadeiro milagre brasileiro.
Lula, de fato, é (foi) um milagre. Sua soberba e auto-adulação foram um preço pequeno a pagar pelo consenso seminal que ele estabeleceu ao abraçar a economia de mercado e anular o lado B (de burra) da esquerda brasileira. No processo, colocou os pobres no centro da ação pública do país. E desabrochamos com essa jabuticaba: o sucesso do capitalismo turbinando partidos de discurso anticapitalista.
Vai entender esse país.
Daqui do sul da Bahia, vendo a miséria persistente num cenário luxuriante, salários mínimos servindo salários máximos, é fácil sentir o quanto andamos e o quanto temos de andar.
O verão brasileiro é propício ao ócio, mas eu tenho de voltar amanhã a São Paulo. A tristeza de deixar a praia, o mangue e o Quadrado neste verão opulento só se dissipa porque no cenário paulistano, cosmopolita, dinâmico, nervoso epicentro do boom de vida no Brasil de hoje, não há quem não tenha planos e oportunidades para engajar-se e engajar-lhe.
Que o governo Dilma nos ajude e não nos atrapalhe. Ela começa bem menos interessada do que Lula em nossos corações e mentes e mais interessada em planilhas e resultados.
Ufa!
O Brasil não é um país normal. Assim como os Estados Unidos, temos direito a reivindicar excepcionalidade. Mais do que isso, temos o dever de desenvolvê-la.
O Brasil não é um país normal, mas normalidades (e banalidades) têm enorme utilidade por aqui. Nosso milagre econômico, tão parecido com os de outros emergentes, deve tudo à normalidade (e a banalidade) econômica consolidada nesses 16 anos da dualidade FHC-Lula.
O fim da era Lula foi o fim do recomeço, da retomada. Dilma inaugura, se tudo der certo, um Brasil maior que qualquer governo ou liderança, cujos méritos (e deméritos) serão antes de tudo dos brasileiros.
O bom-sensismo discreto de Dilma e Palocci pode ser o moderador ideal para o novo Brasil. O esfriamento das relações com o regime iraniano já é um alvissareiro começo.
Todo mundo já sabe o que falta fazer no país, o que se pode fazer e o que não se deve fazer. A nova velha tragédia das chuvas no Rio que o diga.
Mais do que nunca, precisamos de bom senso.
Dilma pode ser a cara. Palocci, a barba.
Sucesso para eles.

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