sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Moradia em área de risco é regra´, diz Dilma


Clique para AmpliarAo lado de Dilma, Sérgio Cabral culpou "a desgraça do populismo" de seus antecessores, que, segundo ele, permitiram a ocupação inadequada de encostas em todo o Estado 
FOTO: ROBERTO STUCKERT/PR
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Moradores carregam corpos de vítimas no Vale Cuiabá, em Petrópolis. Na região, que concentra condomínios e hotéis de luxo, uma casa desabou e oito pessoas da mesma família morreram
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Rio de Janeiro. A presidente Dilma Rousseff afirmou, ontem, em entrevista coletiva ao lado do governador Sérgio Cabral, que a construção de moradias em áreas de risco é a regra, não a exceção no Brasil. Já Cabral vociferou contra os antecessores que "permitiram a ocupação inadequada de encostas em todo o Estado fluminense".

"Quando não se tem políticas de habitação, a pessoa que ganha até dois salários mínimos vai morar onde? Vai morar onde não pode. Moradia em área de risco é regra, e não exceção no Brasil", afirmou Dilma.

O governador do Rio disse que lamentavelmente, o que houve na região serrana foi um problema muito semelhante ao que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro em 2010. "Deixaram a ocupação de áreas acontecerem como se fossem aliados dos mais pobres. A grande maioria atingida é de populares. Políticos oportunistas de plantão sempre se aproveitam para fazer defesa de ocupações irregulares", declarou Cabral, cujo paradeiro era desconhecido durante a tragédia na região serrana.

De acordo com a presidente, enquanto o governador estava no exterior telefonou para ela na quarta-feira, dia 12, para poder tomar providências imediatas. A solicitação foi para colocar imediatamente a ministra de Desenvolvimento Social, Tereza Campello, e o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, em contato para que ambos fizessem um levantamento sobre as áreas atingidas e o que seria preciso. "Isso foi agilizado e pudemos tomar medidas para acelerar a liberação de benefícios, como aluguel social, e outras medidas, antecipando Bolsa Família e benefício da prestação continuada", explicou Dilma Rousseff.

Durante todo o tempo, Cabral foi só elogios a Dilma e ao governo do ex-presidente Lula, destacando que o Rio de Janeiro recebeu nos últimos quatro anos não só solidariedade, mas apoio com recursos financeiros.

A presidente demonstrou firmeza ao afirmar que a visita não era apenas para prestar solidariedade ao Estado, mas para garantir que sejam feitas ações concretas, coordenadas e conjugadas entre o governo federal, estadual e municipal para socorrer as vítimas. Ela também afirmou que haverá prevenção. "Estamos aqui para garantir que o momento da reconstrução será também o momento da prevenção", destacou.

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, disse que a responsabilidade pela catástrofe é conjunta: da União, do Estado e dos municípios.

O governo federal já havia anunciado a liberação de R$ 780 milhões para o apoio às vítimas da catástrofe. O Ministério da Saúde vai enviar R$ 9 milhões para os três municípios.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou, ontem, que fará uma doação emergencial ao Rio de US$ 200 mil (R$ 335.300).

Saque do FGTS
Os trabalhadores que vivem nas áreas afetadas pelas chuvas poderão sacar a partir de hoje até R$ 4.650,00 do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no entanto, vai solicitar a Dilma a publicação de um decreto reajustando o limite para R$ 5,4 mil.

O valor equivale a dez salários mínimos, conforme medida provisória (MP) publicada no Diário Oficial em 31 de dezembro. Segundo Lupi, a Caixa Econômica Federal está preparada para atender à demanda dos trabalhadores de todos os municípios afetados.

SOLIDARIEDADE NOS RESGATES
Vítimas comovem o País
Nicolas Barreto, o bebê de seis meses que ficou 15 horas soterrado em Nova Friburgo, na região serrana do Rio, recebeu alta da maternidade do município na manhã de ontem. Mais de 500 pessoas já morreram na região devido às fortes chuvas.

Seu pai, Wellington da Silva Guimarães, de 25 anos, também foi liberado pelos médicos. Na tarde de ontem, ele acompanhou o enterro da mulher, Renata Gomes Costa, de 28 anos.

Além da mãe, a avó materna de Nicolas também morreu soterrada. O bebê, enquanto estava soterrado, ficou protegido pelo pai. Ele permaneceu todo o tempo abraçado ao filho. Ambos ficaram protegidos pela laje da casa, que criou uma espécie de câmara, impedindo que eles fossem soterrados. Segundo os bombeiros, a operação de resgate durou cerca de três horas.

Ajuda dos vizinhos
A mulher que protagonizou, ontem, uma das cenas mais angustiantes de resgate na região serrana do Rio contou emocionada que teve medo que o nó feito por ela em uma corda fosse fraco demais para segurá-la. "Eu pensei que ia morrer, mas pedi pelo amor de Deus que meus vizinhos não me deixassem morrer ali", disse a dona de casa Ilair Pereira de Souza, de 53 anos.

Ilair passou momentos de pavor ao ser salva por vizinhos pendurada em uma corda enquanto sua casa desaparecia, levada pela enxurrada em São José do Vale do Rio Preto. Durante o salvamento, ela perdeu o cachorro Beethoven.

"Ele mordeu meu braço para tentar escapar, mas não consegui segurá-lo. Se eu tentasse ajudá-lo, eu iria morrer. Coitadinho, ele ficou me olhando com aquele olhinho triste e se foi naquela água. Não tinha o que fazer", relatou emocionada.
A cidade de Nova Friburgo foi praticamente destruída pelos deslizamentos de terra. Pelo menos cinco mil casas estão em áreas de risco em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente
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O resgate do menino Nicolas, de 6 meses, em Nova Friburgo, foi um dos mais emocionantes. A criança ficou 15 horas sobre escombros abraçada ao pai, Wellington da Silva Guimarães, de 25 anos, que também foi resgatado e passa bem
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Destroços misturam-se a produtos em frente a um super-mercado em Nova Friburgo. Poucas lojas abriram as suas portas, e aumentou a procura por água e mantimentos

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