quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A tragédia da irresponsabilidade

A tragédia na região serrana do Rio mistura a catástrofe natural com a irresponsabilidade pública e a ignorância --é, aliás, algo comum nas catástrofes brasileiras. Basta ver o que fala o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio (CREA-RJ).
A entidade afirma que há pelo menos dois anos adverte as cidades da região serrana sobre as ocupações irregulares, mas, na maioria das vezes, sem nenhum efeito. Nem resposta tiveram.
Falta, segundo a entidade, qualquer planejamento urbanístico, o que contraria interesses econômicos de condomínios de alto luxo. Ou a disposição de arrumar briga com os mais pobres.
Soma-se a isso a ignorância: prefeituras, de acordo com o CREA-RJ, não teriam profissionais qualificados para evitar a construção de casas em áreas de risco.
Daí se vê, como sempre, como o descaso é uma tragédia permanente no Brasil.

A imprensa internacional destaca nesta quinta-feira (13) a tragédia provocada pelas chuvas na região Sudeste do Brasil, que já deixou centenas de mortos e desaparecidos.
O jornal britânico "The Guardian" afirma que as chuvas da noite de terça-feira (11) provocaram um dos "mais mortais deslizamentos de terra da história do Brasil", espalhando lama em três cidades e "enterrando famílias inteiras enquanto dormiam".
O assunto ganhou o topo da página dos principais portais de notícias dos EUA, como a CNN, MSNBC e o site do jornal "The New York Times". A mídia americana diverge sobre a quantidade de mortos no Brasil, porém, destaca que o número deve aumentar.
Os jornais também apontam a frequência em que de tragédias provocadas pelas chuvas ocorrem. "Temporais e deslizamentos de terra matam centenas de pessoas pelo Brasil a cada ano, especialmente durante o verão na América do Sul. Os mais atingidos são os pobres, cujas casas frágeis são geralmente construídas aos pés de declives com fraca ou nenhuma fundação", diz o "The New York Times".
A CNN lembra que, em janeiro do ano passado, o município carioca de Angra dos Reis foi vítima de deslizamentos de terra provocados por fortes chuvas e que deixaram "dezenas de mortos".
O espanhol "El País" lembra que "depois da tragédia na grande metrópole brasileira de São Paulo, que há 44 dias é castigada por chuvas torrenciais", três cidades do Rio de Janeiro (Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo) "estão sendo golpeada pelas águas desde a madrugada de ontem".
O francês "Le Monde" reproduz depoimentos de moradores de Teresópolis que demonstram estar "chocados com a amplitude de catástrofe". "Só vi uma tragédia parecida na televisão. Parece um filme de terror. As casas e os carros foram levados pela torrente de água. Foi assustador", disse a moradora Angela, empregada doméstica de 55 anos.
O jornal francês afirma que esses municípios cariocas são os destinos favoritos dos moradores do Rio que fogem do calor sufocante reinante no verão.

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